Vítimas de acidente violento no Rio são enterradas

Amigos e familiares despediram-se nesta segunda-feira, 4, dos cinco jovens mortos num acidente de trânsito na Lagoa, na zona sul do Rio, na madrugada de domingo, ainda sob o choque provocado pela tragédia. Manoela Billy Rocha, de 16 anos, Ana Clara Rocha Padilhae Joana Chamis, ambas de 17, foram veladas no Memorial do Carmo, no Caju (zona norte), onde seriam cremadas. Felipe Travassos de Azevedo Vilela, de 22, e Ivan Rocha Guida, de 18, foram sepultados no Cemitério São João Batista, em Botafogo (zona sul). Nas cerimônias, rostos adolescentes expressavam com lágrimas a tristeza e a surpresa, apesar das estatísticas que apontam jovens da faixa etária deles como a principal vítima dos acidentes de trânsito na noite do Rio. Do total de 1.134 já mortes registradas no Estado do Rio este ano, 230 são de jovens entre 13 a 29 anos. Era Ivan quem estava no volante do Honda Civic que, às 5h30 de domingo, bateu no canteiro central da Avenida Borges de Medeiros, capotou, se chocou contra uma árvore e pegou fogo sem deixar sobreviventes. De acordo com análise preliminar dos peritos, o rapaz estava em alta velocidade numa via cuja máxima permitida é 70 quilômetros por hora. Ele seguia para o Humaitá, onde iria deixar Manoela. As três moças estavam no banco de trás. No banco do carona da frente estava Felipe, estudante de Direito e Publicidade, que não dirigia. Segundo familiares, o rapaz nunca quis tirar habilitação justamente porque tinha medo de acidentes de trânsito. O acidente aconteceu logo depois de o grupo deixar a boate Sky Lounge, onde comemoravam o aniversário de Alexandre Balbi, de 19 anos. O rapaz conta que se despediu de Ivan na porta da boate e viu quando ele e Felipe afivelaram os cintos. Ele admitiu que todos ingeriram bebidas alcoólicas durante a comemoração, mas não vê relação direta com o acidente. "Eles não beberam para ficar totalmente bêbados e acontecer essa tragédia. Conversei com ele, combinamos de sair juntos daqui um mês, quando seria o aniversário dele", disse Alexandre Balbi, de 19 anos. "Não tem como negar que ele estava correndo, mas o porquê, a causa, eu não sei", disse o jovem, uma das 300 pessoas que acompanhou o sepultamento dos dois rapazes sob a chuva da manhã de ontem. "Pelo menos todo mundo vai ter uma lição agora. Sair de uma boate e correr não é a solução", disse Balbi, resumindo o sentimento de todos. "Agora todo mundo vai andar de táxi". Estatísticas no RioSegundo a Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio (CET-Rio), a Avenida Borges de Medeiros está entre as cinco vias onde mais são aplicadas multas por excesso de velocidade na cidade. A maior parte dos acidentes acontece entre sexta-feira e domingo, dias em que a combinação de vida noturna, álcool e imprudência se repete principalmente na zona sul, onde estão os principais centros de entretenimento. Somente este ano, 27 pessoas morreram em acidentes de trânsito nessa região da capital fluminense e 554 ficaram feridas. Quase metade dos 581 acidentes registrados na zona sul entre janeiro e junho aconteceu em Botafogo e Copacabana: 271. Segundo o Departamento de Trânsito do Estado do Rio (Detran-RJ), 1.134 pessoas morreram este ano no trânsito fluminense. O ano de 2005 fechou com a triste estatística de 2.584 mortos.Dos cinco jovens mortos anteontem, apenas Joana ainda foi encontrada com vida. Ela foi levada para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu. O hospital, que tem a principal emergência da zona sul, o número de atendimentos de vítimas do trânsito está aumentando. Em 2004, foram 972 atendimentos. Em 2005, 1.037. Até julho deste ano, os números já ultrapassaram a metade da estatística do ano passado: 555 atendimentos.

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