Vítimas de tremor recebem casas

Abalo em Itacarambi destruiu 95% das residências; mãe da única vítima disse se dividir entre a alegria e a tristeza

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2008 | 00h00

O governo de Minas entregou ontem 76 casas às famílias da comunidade rural de Caraíbas, em Itacarambi, no norte do Estado, que ficaram desabrigadas após o terremoto de 4,9 pontos na escala Richter, em dezembro. O tremor foi o primeiro a provocar uma morte no Brasil: a menina Jesiquele Oliveira Silva, de 5 anos, morreu ao ser atingida pelo muro do quarto em que dormia, em Caraíbas - no epicentro do abalo. Várias casas da comunidade desabaram. Um levantamento do Corpo de Bombeiros indicou que 95% das residências foram comprometidas e, por isso, tiveram de ser demolidas. As famílias precisaram ser removidas para escolas. Um residencial foi erguido no bairro São José, dentro do perímetro urbano de Itacarambi, em área doada pela prefeitura. O Estado investiu R$ 1,55 milhão nas obras. Embora tivessem resistido em um primeiro momento, os moradores aos poucos desistiram de voltar a Caraíbas, por causa do risco de novos tremores. Um novo terremoto, de 4 pontos, foi registrado na comunidade no dia 20 de março. Em virtude de a região ser propícia a abalos sísmicos, as bases das casas utilizam o sistema "radier" - uma placa de concreto armado com 10 centímetros de espessura, sobre a qual é erguida a construção. No caso de movimentação do subsolo, não há conseqüências como possíveis trincas. As residências (em lote de 360 metros quadrados) contam também com uma cinta de concreto na parte superior.O governador Aécio Neves (PSDB) participou da cerimônia e prometeu que o governo trabalhará pela inserção das famílias no mercado de trabalho de Itacarambi, por meio de programas sociais. Na comunidade de Caraíbas, os moradores tiravam seu sustento basicamente da roça. A mãe de Jesiquele, Veralice Silva de Oliveira, de 25 anos, compareceu à cerimônia e afirmou que estava "dividida". "Estou entre a alegria (pelo recebimento da casa) e a tristeza da lembrança da minha filha", afirmou à Rádio BandNews.

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