Vítimas do Palace2 acusam juiz de favorecer Sérgio Naya

Os advogados das vítimas do Palace 2 entram hoje com representação junto ao Conselho da Magistratura contra o juiz Alexander Macedo, que atuava como juiz substituto da 4.ª Vara Empresarial para o processo de indenização das famílias. Eduardo Lutz e Nélio Andrade acusam Macedo de ter autorizado a venda de bens do empresário Sérgio Naya à revelia do Ministério Público e da associação de vítimas e de Ter permitido ainda a transferência de imóveis para prepostos de Naya, usando contratos de gaveta como artifício. Macedo, que estava de férias em Minas, voltou ontem ao Rio e negou as acusações. Em um dos casos, a venda de um terrenoem Belo Horizonte, o juiz mostrou documento assinado pelo promotor Rodrigo Terra, provando que o Ministério Público tinhaciência do negócio. Terra, no entanto, pediu ao juiz titular da 4.ª Vara Empresarial, Antônio Carlos Torres, que agora está à frente do processo, o levantamento dos bens indisponíveis que Naya foi autorizado a vender.?A intervenção do Ministério Público é indispensável antes da decisão judicial. Seguindo a denúncia das vítimas, vamos saberquais bens tiveram a disponibilidade levantada sem o conhecimento do MP. Essa certidão vai ser a prova que precisamos para que o juiz (Torres) declare nula a venda?, afirmou o promotor.Macedo garante que só três imóveis foram vendidos e todos com conhecimento do MP e dos advogados das vítimas: o terrenoem Belo Horizonte, por R$ 300 mil, e dois terrenos no setor hospitalar de Brasília, por R$ 2,6 milhões. Com o dinheiroarrecadado, ele teria indenizado pelo menos duas famílias.Os advogados das vítimas alegam que somente R$ 873.500 referentes à venda de um dos terrenos de Brasília chegaram à conta judicial. Macedo garante que todo o dinheiro foi depositado, descontando-se as dívidas com IPTU dos dois terrenos, que somavam R$ 862 mil. Outra irregularidade apontada pelos advogados está no reconhecimento da venda da fazenda Boa Vista, em Minas Gerais, por R$ 25 mil, em 10 de maio de 1996. ?Ocorre que em 1999, nas fls 178 ? 1.º Volume, o sr Sérgio Naya declara no item 2.1 que tal imóvel lhe pertencia, avaliada em R$ 500 mil?, diz a denúncia já encaminhada ao juiz Torres e que segue hoje para o Conselho da Magistratura. A fazenda foi vendida para Sebastião Bucar Nunes, diretor financeiro das empresas de Naya.?A escritura era antiga. Foi tudo examinado. Se Naya depois declarou... o juiz examina o que está nos autos. Desconheço isso(que a fazenda estava numa lista de declarações de bens de Naya de 1999)?, afirmou Macedo. Lutz e Andrade criticam ainda a dispensa de certidões negativas da Receita Federal e INSS para a venda de imóveis. ?Se eu nãotivesse feito isso, não ia vender nunca. O Sérgio Naya tem patrimônio bastante para suportar esses outros débitos. Eu precisava de dinheiro para pagar minhas vítimas. Eu adotei essas vítimas. Talvez tenha sido meu erro. Talvez não devesse nem ter apanhado esse processo?.Macedo disse que vai processar os advogados e a associação de vítimas.?Se tiverem ombridade de representar contra mim, o Tribunal vai decidir. E se eu estiver certo, vou tomar as providências. E vaidoer no bolso?, ameaçou.O Palace 2 caiu em 22 de fevereiro de 1998, matando 8 pessoas. Era madrugada de sábado de carnaval. Trezentas famílias, dosdois blocos do condomínio, ficaram desabrigadas. Peritos atestaram que houve erro no cálculo dos pilares, que suportavam peso menor do que o necessário. O Palace 1 foi recuperado. Setenta famílias do Palace 2 foram alojadas num hotel no Recreio dos Bandeirantes. Trinta famílias ainda vivem lá.Em 24 de janeiro de 2001, as vítimas assinaram acordo para receber indenizações. O advogado de Naya, Jorge Luiz deAzevedo, informou que 12 famílias foram ressarcidas.

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