Vítimas eram todas mulheres, com idade entre 14 e 79 anos

Nove óbitos foram confirmados - sete pessoas morreram no local e outras duas em hospitais

Andrea Vialli, Felipe Grandin, Josmar Josino, Lais Cattassini e Maria Rehder, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

A tragédia do desabamento do teto da Igreja Renascer em Cristo, no Cambuci, região de central de São Paulo, deixou um saldo de nove vítimas fatais. Todos os mortos são mulheres, com idade entre 14 e 79 anos. Sete delas tinham mais de 50 anos. No templo, as equipes de resgate encontraram sete mulheres já sem vida e ontem, horas depois do acidente, duas morreram em hospitais de São Paulo.Seis vítimas foram enterradas ontem e, para a manhã de hoje, estão previstos mais dois sepultamentos. A comoção marcou as cerimônias de despedida das mulheres. Segundo familiares, a Igreja arcou com as despesas. Ontem à noite, a última vítima, Ana Lúcia Menezes, de 39 anos, foi reconhecida por familiares que vieram do Rio.MÃE E FILHAOs corpos de Acir Alves da Silva, de 79 anos, e de sua filha Maria Amélia de Almeida, de 60, foram enterrados ontem à tarde no Cemitério Bela Vista, em Osasco. Segundo testemunhas, elas morreram abraçadas. Havia cerca de cem pessoas no local e a maioria descreveu Acir como uma mulher de fé, que orava por todos. Ela frequentou a Igreja Presbiteriana do Brasil por 40 anos e há 2 mudou de Osasco para o Tatuapé, quando passou a ir à Renascer, para acompanhar a filha.O neto de Acir e filho de Maria Amélia, o professor Júris Megnis Júnior, de 41 anos, estava muito abalado. Pela manhã,ele se desentendeu com um líder da Renascer, no Instituto Médico-Legal (IML). "Cheguei até a dar um soco nele, pois ele foi sarcástico quando eu tentava conseguir telefone de outras famílias. Comentei que tinha perdido a minha avó e minha mãe na tragédia e ele disse ?parabéns?. Mas eu sei que a Renascer também tem pessoas boas."PRIMEIRA VEZGabriela Lacerda, de 14 anos, e sua vizinha Dalva Ferreira, de 71, foram ao templo do Cambuci pela primeira vez anteontem. Elas estavam com Elaine Lacerda, mãe de Gabriela, e Felipe, irmão da garota. Gabriela foi enterrada no Cemitério Chora Menino, zona norte, e Dalva, no Vale da Paz, em Diadema.Dalva tinha se convertido havia dois anos e frequentava o templo do Jardim Eliza Maria, zona norte. Era apegada à neta de 4 anos. "A minha filha era cuidada por ela de segunda a sexta, pois eu e minha mulher trabalhamos", disse o supervisor de segurança Antônio Parro Júnior, de 32 anos, filho da vítima.De família batista, Gabriela também era muito ligada à avó Glória, de 72 anos. A adolescente começaria a 8ª série e queria uma festa de debutante, em novembro. "Estávamos organizando tudo. Era o sonho dela ter uma grande festa de aniversário e uma formatura", contou a tia Elizionete Lacerda.RETORNO AO TEMPLOCerca de cem pessoas acompanharam o enterro de Maria Elizier dos Santos Nicolau, de 52 anos, ontem no Cemitério da Saudade, em São Miguel Paulista, zona leste. As coroas de flores enviadas pela Igreja não amenizaram o sofrimento. "A Igreja está dando apoio e arcando com as despesas. Mas não é o bastante, porque a vida se foi", disse o cunhado Odair Souza. Abalada com a perda, a família evitou a imprensa. "Não é o momento de falar", disse o marido da vítima, Ismael Nicolau, que trabalha como agente de segurança no Tribunal de Justiça de São Paulo. Uma das filhas desmaiou. "Tira essa terra de cima da minha mãe, deixa minha mãezinha comigo", gritava. Maria deixou três filhos - de 24, 27 e 30 anos - e cinco netos.Maria havia acabado de assistir ao culto, acompanhada de uma das filhas e de duas netas. Uma das meninas havia se perdido. Quando voltou para procurá-la, o teto desabou. Filha e netas saíram ilesas. Professora do ensino fundamental, Maria havia concluído Pedagogia no fim do ano e fora promovida para a gestão escolar. Faltava um ano para se aposentar.SILVIA MOREIRAA professora Silvia Moreira, de 52 anos, havia se aposentado há cinco meses. Ela lecionava na Escola Municipal de Ensino Infantil Regente Feijó, que fica a poucos metros do local do desabamento. Silvia Moreira vivia com a filha Tais e com uma neta. Foi sepultada no Cemitério do Araçá.MARIA DE LOURDESMaria de Lourdes da Silva, de 67 anos, morreu às 5h45 de ontem no Hospital das Clínicas, de parada respiratória e será enterrada hoje. De acordo com relatos de parentes, era ativa e vaidosa. A dona de casa caminhava diariamente, integrava o coral e ia todos os dias à igreja. Morava na Vila Formosa e pegava três ônibus para chegar à Renascer. Tinha 7 filhos, 12 netos e 6 bisnetos.LUIZA DA SILVAA aposentada Luiza da Silva, de 62 anos, sofreu três paradas respiratórias e morreu às 6h30 na Santa Casa da Misericórdia. Ela vivia para a Igreja. Todos os domingos, assistia a dois cultos. Mineira, ela morava em São Paulo desde os 12 anos. Divorciada, vivia sozinha no centro e trabalhava como costureira. Será sepultada hoje.ANA LÚCIAVinda do Rio havia alguns anos, a vendedora autônoma Ana Lúcia Menezes completaria 40 anos no dia 28. Ela vivia sozinha desde dezembro, quando o filho de 19 anos voltou ao Rio. Tinha o segundo grau completo e não era de família evangélica. Ontem à noite, parentes reconheceram seu corpo. Só então comunicariam o filho e sua mãe sobre sua morte.

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