Vítimas não recebem ajuda no Piauí

Excesso de água nos rios impede chegada de comida e remédios para os 50 mil desabrigados pela enchente

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

07 de maio de 2009 | 00h00

O volume excessivo de água nos rios do Piauí está impedindo a chegada de mantimentos, como comida e remédio, e de materiais, como colchão e roupa, aos desabrigados que já somam 50 mil no Estado. Os principais afetados por uma das maiores enchentes da história estão no interior. Subiu para 25 os municípios em estado de calamidade. Acompanhe as notícias sobre a chuva e a seca que atingem os EstadosEm Esperantina, cidade com o maior número de desabrigados, a 200 quilômetros de Teresina, o quadro é desesperador (leia mais no texto abaixo). Ontem, a rodovia que leva ao município foi encoberta pelas águas da chuva que fizeram o volume do Rio Longa subir mais de 9 metros. A chuva que havia dado trégua desde segunda-feira, voltou a cair no interior. A preocupação agora é com as cidades pequenas, uma vez que na capital os trabalhos têm sido intensivos e o volume dos rios baixaram.Segundo a Defesa Civil, das 9.949 famílias que tiveram de deixar suas casas, 2.505 são da capital. O restante está no interior, onde o acesso está prejudicado por causa das condições ruins de rodovias estaduais, com buracos e pontos intrafegáveis. Subiram para três as cidades ilhadas.Esperantina, com 35 mil habitantes, é o pior retrato da tragédia. A reportagem do Estado foi até o local ontem e constatou que metade da cidade está submersa. São quase 2 mil pessoas que tiveram de deixar suas casas e estão amontoadas em 50 abrigos, onde falta de tudo. Ao todo 46 famílias tiveram casas arrastadas pelas águas e 92 estão ilhadas na zona rural, sem água potável. A reportagem teve de usar canoa para passar o trecho da Rodovia PI-113, que liga Teresina a Esperantina, e viajar 50 quilômetros de carona. O Rio Longa continua a subir e a falta de atendimento adequado preocupa. Apesar da ajuda dos bombeiros, da Defesa Civil e do Exército, no trabalho de remoção de famílias, o auxílio com alimentos e assistencial é precário."Nossos recursos já estavam comprometidos com a queda de arrecadação do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e agora essa enchente. Precisamos urgentemente de ajuda externa para melhorar a rodovia e regularizar a chegada de mantimentos", disse o prefeito Chico Antonio (PT).Nos abrigos, moradores esperam o nível das águas baixar. "Nossa casa foi levada. Trouxeram a gente para cá, mas estamos esquecidos. Ninguém vem olhar o estado em que estamos", reclama Antonio de Moraes, de 41 anos, que teve de deixar sua casa com mulher e três filhos, há oito dias. O prefeito admitiu o problema, mas afirmou que a ajuda está chegando. Segundo Chico, foram distribuídos até ontem quase mil cestas básicas e 400 colchões.Ontem, uma caminhonete da Secretaria Estadual da Saúde, com remédios, como dipirona, amoxilina e antimicótico, ficou parada na estrada, um município antes de Esperantina. A carga só seguiu para o destino final com a ajuda de um caminhão que enfrentou a PI-113.VOLTA À ROTINAAo contrário das cidades do interior, em Teresina as águas do Rio Poti chegaram a baixar 1,2 metro ontem e algumas vias começaram a ser reabertas. O governador Wellington Dias (PT) determinou que as aulas nas escolas estaduais fossem retomadas no Estado. Boa parte delas, porém, está ou alagada ou servindo de abrigo. Em Esperantina, por exemplo, as aulas vão continuar suspensas.No interior, o governador solicitou o bom senso para os gestores em educação, Defesa Civil e prefeitos para definir o retorno total das aulas. "Queremos evitar prejuízo para o ano letivo", disse o governador. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também solicitou, em sua visita anteontem, que as aulas fossem retomadas.

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