Vitória certa fez Lula 'abandonar' campanha

Pesquisas e trackings telefônicos ditaram o ritmo e o perfil do engajamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas últimas 48 horas antes da eleição. Municiado por dados que revelavam uma vantagem confortável de Dilma Rousseff, Lula optou por trabalhar mais nos bastidores, depois de meses de agenda casada com a petista.

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2010 | 00h00

Lula, que havia previsto ficar ao lado de Dilma ou "trabalhando" por ela até o final do sábado, participando de carreatas em Belo Horizonte e São Bernardo do Campo, acabou se desmobilizando na véspera das eleições, não só por estar exausto, mas também pela certeza de que a eleição já estava decidida a favor dela.

O presidente, que nas últimas semanas chegara a fazer mais de um comício por dia, no sábado preferiu ficar "trancado" em seu apartamento em São Bernardo, apenas conversando pelo telefone com governadores aliados eleitos, como Marcelo Deda, de Sergipe, e Jacques Wagner da Bahia, para pedir a todos para manterem as militâncias mobilizadas, assim como aliados paulistas e mineiros, onde estavam as maiores preocupações de Lula.

Seu fiel escudeiro Gilberto Carvalho, por exemplo, foi representá-lo na carreata no sábado em São Bernardo para sentir mais de perto a situação na região e, depois, relatar-lhe.

Na quinta-feira, mesmo depois de ter cancelado o comício que faria em Recife, por causa da morte do ex-presidente argentino Nestor Kirchner, Lula decidiu confirmar presença na capital pernambucana, na sexta-feira, não só para prestigiar o seu Estado, como também para receber uma das maiores demonstrações de apoio ao seu governo.

Lula queria marcar o encerramento da campanha no Nordeste, para reforçar a necessidade de todos apoiarem sua candidata e manter a militância engajada. Também não queria deixar na mão o governador reeleito, Eduardo Campos, do PSB, um dos grandes articuladores da campanha de Dilma na região, que havia programado uma megafesta para o presidente e em prol da candidatura petista.

Ainda em Recife, Lula conversou com Dilma, que se preparava para o debate da TV Globo, para desejar boa sorte e repassar as últimas orientações. Lula transmitiu a Dilma a emoção que sentiu em Recife pelas cerca de cem mil pessoas que o acompanharam pelas ruas da cidade. "Nunca vi nada tão forte", disse a ela.

No domingo, antes de votar, Lula tomou café da manhã com alguns aliados como Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo, e os senadores Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante.

Lula estava certo da vitória e apressado para voltar para Brasília, onde chegou pouco depois das 12 horas, a fim de acompanhar, no Palácio da Alvorada, as apurações. A maior comemoração foi quando se apontou que, "matematicamente", Dilma estava eleita. Ele deu um pulo do sofá, bateu palmas e os presentes aplaudiram e se abraçaram. Lula, então, telefonou para Dilma para parabenizá-la, antes que ela seguisse para o hotel onde faria o seu pronunciamento.

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