Vitória de Lula foi ´um não às políticas dos anos 90´

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil representa "muito mais um não às políticas dos anos 90 do que um sim ao modelo implementado durante seu primeiro mandato", avaliou nesta segunda-feira a cientista social da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso) e professora da Universidade de Buenos Aires (UBA), Valentina Delich. Segundo ela, o governo de Lula "tem mantido uma política econômica ortodoxa, não realizou a prometida reforma agrária, foi envolvido em gigantescas denúncias de corrupção e o assistencialismo social, embora existente, tem obtido magros resultados".Neste sentido, ela diz que os votos de Lula no segundo turno foram conquistados graças ao temor de que " Geraldo Alckmin (PSDB) regressara com a política de privatizações de Fernando Henrique Cardoso, entre outras". Delich também analisa que na América Latina já se tornou um fato comum referir-se por esquerda os governos que ganham, e por direita, os que governam. Mas, segundo ela, "não convém que o Mercosul seja considerado uma política da esquerda ou o populismo e a responsabilidade fiscal da direita".A analista acredita que "a região precisa discutir, repensar e redefinir políticas que se ocupem da pobreza e a exclusão social assim como também do crescimento sustentável, o fortalecimento da democracia e a integração no mundo". Em sua avaliação, "não se trata de brigar por governos pragmáticos, falsamente neutros, mas de acertar os pilares de uma visão comum de modelo de desenvolvimento para os países da região, e deixar para depois a discussão sobre as diferenças entre direita e esquerda".Tendências ideológicas à parte, o presidente do Centro de Investigações para a Transformação (Cenit), Carlos Bruno, considera que para a Argentina, a vitória de Lula "é uma tranqüilidade". Segundo ele, "já é hora de voltar a pensar seriamente em transformar o Mercosul em uma autêntica ferramenta de integração regional e não simplesmente em tratado de livre comércio". Nesse sentido, ele destaca que "Lula acredita firmemente no Mercosul".

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