Vitória do PMDB abre palanque para Dilma no DF

Com a bênção do Planalto, petistas preferiram compor com Rosso, eleito governador no sábado, para fugir de Roriz e fortalecer campanha da ex-ministra

Leandro Colon de Brasília, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2010 | 00h00

A vitória de um candidato do PMDB ao governo do Distrito Federal, anteontem, abriu caminho para aliança com o PT em Brasília na eleição de outubro e, consequentemente, para formação de palanque forte à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência. A estratégia e a negociação do acordo passaram pelo Planalto.

O advogado Rogério Rosso (PMDB) - que toma posse hoje como governador - venceu com o apoio "disfarçado" dos petistas na votação realizada pelos deputados distritais. Isso porque o PT viveu um dilema no sábado: fazer um acordo de última hora com o ex-governador Joaquim Roriz para tentar ganhar a eleição com o petista Antônio Ibãnez, ou ser "coadjuvante" e deixar o PMDB ganhar a disputa. Prevaleceu a segunda opção.

O grupo de Roriz, sob a interlocução da deputada Eliana Pedrosa (DEM), fez uma proposta ao PT pouco antes da eleição, depois de perceber que o deputado e candidato Wilson Lima (PR) não tinha chances. Pela proposta da deputada, Lima abriria mão de sua candidatura em troca de ser indicado por Ibãnez, em caso de vitória, para uma vaga no Tribunal de Contas do DF.

Às 14h de sábado, uma hora antes da eleição, o PT bateu o martelo: não haveria como fechar acordo com Roriz, adversário histórico da legenda na cidade e um dos prováveis palanques da candidatura de José Serra ao Planalto. O jeito era jogar a toalha, votar em Ibãnez e entregar a vitória ao PMDB. Mesmo sem acordo, Eliana Pedrosa votou no PT. E, liberados, deputados que votariam em Wilson Lima correram para o lado de Rogério Rosso.

Aliança pelo Planalto. Ao recusar acordo com Roriz, o PT sinalizou aos peemedebistas a possibilidade de composição para outubro: entregar a vaga de vice-governador ou senador ao deputado federal Tadeu Filippelli (PMDB), articulador da campanha de Rogério Rosso. O PT já lançou Agnelo Queiroz como pré-candidato ao governo do DF.

A estratégia começou a ser selada na sexta-feira numa reunião no Palácio do Planalto entre integrantes da cúpula do PT no DF e Swedenberger Barbosa, assessor especial da Presidência. No encontro, foi definido que, oficialmente, o governo não se manifestaria sobre as eleições do DF por causa de uma eventual intervenção que ainda será julgada pelo Supremo Tribunal Federal. Mas houve consenso de que, entre todos os cenários, era preciso avaliar como a votação do sábado poderia influenciar as eleições de outubro para o governo do DF e o Palácio do Planalto.

Rogério Rosso foi eleito com o compromisso de não ser candidato em outubro. Ex-aliado e hoje adversário de Roriz, Tadeu Filippelli busca uma chapa forte para derrotar o ex-governador, líder nas pesquisas. Hoje ele vê o PT como alternativa nesse sentido. A união das duas legendas cairia como uma luva para Dilma, já que Serra deve aproveitar o palanque de Roriz em Brasília.

Perfil

Rogério Rosso

Novo Governador do Distrito Federal

Conciliador com trânsito nos bastidores

Aos 41 anos, Rogério Rosso assume hoje o governo do Distrito Federal, exercitando um estilo conciliador. Suplente de deputado federal, Rosso circula, nos bastidores, pelas principais alas da política de Brasília. No governo de Joaquim Roriz, foi secretário de Desenvolvimento e administrador regional. Idealizou, sem sucesso, a construção de um trem-bala entre Brasília e Goiânia. Presidiu a Companhia de Planejamento do DF na gestão do governador Arruda, que teve mandato cassado.

Hoje, o novo governador é aliado fiel do deputado federal Tadeu Filippelli (PMDB), adversário de Roriz e Arruda. É casado com Karina Curi, que pertence a uma das famílias mais ricas da cidade. O sogro doou R$ 1,3 milhão para sua campanha em 2006, quando ficou como primeiro suplente do PMDB na Câmara dos Deputados. Quando não faz política, Rosso toca baixo, guitarra e teclado. Mantém um estúdio pessoal para ensaios com sua banda. / L.C.

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