Viúva afirma reconhecer sargento e soldado

PMs alegam ter reagido depois que os ocupantes do Corsa saíram atirando

O Estadao de S.Paulo

16 de fevereiro de 2008 | 00h00

A estampadora Maricleide da Silva Felício disse ter reconhecido dois policiais militares que prenderam o marido, Charles Wagner Felício, e o amigo Cleiton de Souza. Ela apontou o sargento José Rivanildo da Silva Sá, de 38 anos, e o soldado Ricardo Gonçalves de Moraes, de 39 anos.Maricleide afirmou que Sá fechou a porta do compartimento de presos de uma das duas Blazer da Força Tática do 18º Batalhão que cercaram o Corsa. Os PMs mandaram que os dois deixassem o carro e pediram documentos. Colocaram então a dupla na parte de trás de uma Blazer e saíram, seguidos do automóvel - a viúva apontou o soldado Ricardo Gonçalves de Moraes como o PM que assumiu a direção do Corsa.A viúva foi ouvida pela Corregedoria da PM e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que estão investigando o caso. A Polícia Civil suspeita que Charles e Claiton já estavam mortos quando, segundo os PMs, aconteceu a chacina da Rua Pinheirinho D?Água. Uma das hipóteses é de que os autores do crime estavam numa motocicleta e não no Corsa indicado pelos PMs. Dentro dele estariam dois policiais que se fizeram passar por Cleiton e Charles, para simular o tiroteio com a Força Tática do 18º Batalhão.Os PMs negaram o crime em seus depoimentos. Eles reconheceram que viram uma moto com dois homens passar pela viatura da Força Tática pouco depois de ouvirem disparos na Rua Pinheirinho D?Água. Segundo os PMs, foram os dois homens na moto que apontaram de onde vinham os tiros. Os policiais disseram que, pouco depois, cruzaram com o Corsa.Na versão dos militares, os ocupantes do Corsa fugiram até que tentaram atravessar o canteiro de uma avenida; o carro ficou preso na calçada e seus ocupantes saíram atirando. Os policiais da Força Tática disseram que acertaram tiros em Charles e Cleiton. Baleados, os dois foram levados ao pronto-socorro do Hospital de Taipas.Um médico do hospital que estava de plantão no dia disse ao Estado que não era possível saber se os dois tinham sido mortos antes ou depois das três pessoas baleadas na chacina - o motorista Celestino Manoel dos Santos, de 66 anos, o pedreiro José Roberto de França, de 38, e Alessandro Mendes Correia. Além dos três, uma quarta pessoa foi baleada, mas sobreviveu.Maricleide afirmou que, depois de ver o marido e o amigo serem levados pelos policiais, percorreu todas as delegacias da região atrás dos dois, mas não os encontrou. Só às 20h30 soube que Charles e Claiton haviam sido mortos. "Não quis ir ao local em que eles disseram que balearam meu marido", dise a viúva. Maricleide seguiu para o hospital. Ela disse que uma enfermeira achou o celular e os documentos do carro - estavam ensangüentados. Só então ela encontrou as fotografias que haviam sido tiradas.O aparelho foi entregue aos investigadores, que constataram que o registro da hora e da data em que as fotos foram feitas batia com as alegações de Maricleide. Esse era um dos casos envolvendo policiais do 18º Batalhão que estavam sob investigação quando o coronel José Hermínio Rodrigues, comandante do policiamento na região, foi morto a tiros no dia 16 de janeiro.

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