Viúva da Mega-Sena propõe acordo para pôr fim à disputa por herança

Renê Sena foi assassinado em 2007 e a herança deixada por ele já supera os R$ 100 milhões

Marcelo Gomes - O Estado de S.Paulo,

06 Março 2013 | 18h36

RIO - A ex-cabeleireira Adriana Ferreira Almeida, de 34 anos, viúva do milionário Renê Sena, protocolou na Justiça uma proposta de acordo com Renata Sena, filha única do ganhador da Mega-Sena, para pôr fim à disputa que as duas travam pela herança do vencedor. Na petição, juntada ao processo do inventário dos bens de Renê, Adriana propõe a suspensão das ações judiciais que uma move contra a outra, e que as duas dividam a herança - bloqueada há seis anos por determinação judicial. Com os juros, a fortuna já supera os R$ 100 milhões, segundo fontes ligadas ao processo.

Ganhador de R$ 52 milhões na Mega-Sena em junho de 2005, Renê foi assassinado em janeiro de 2007 em Rio Bonito, interior do Estado do Rio. Acusada pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) de ter sido a mandante do crime, a viúva foi absolvida em dezembro de 2011 pelo Tribunal do Júri de Rio Bonito. O MP-RJ recorreu da absolvição, pedindo que Adriana seja submetida a novo julgamento. O recurso ainda tramita na 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ).

Na esfera cível, Renata move contra a viúva uma ação de indignidade, com base na acusação de que ela foi a mandante da morte de Renê. Segundo a denúncia do MP-RJ, Adriana teria encomendado a morte do milionário após ele dizer que ia excluí-la da herança por ter descoberto que estava sendo traído.

"Renata nunca vai fazer acordo com a mulher que encomendou o assassinato do pai dela para ficar com a herança. Renata não está interessada apenas no dinheiro: ela quer fazer Justiça e impedir que a assassina usufrua do dinheiro. As provas contra ela no processo criminal são robustas e, além disso, os jurados (que a absolveram) não precisaram fundamentar sua decisão. Estamos certos de que Adriana será declarada indigna e, desta forma, excluída do testamento de Renê", disse Marcus Rangoni, advogado de Renata.

Por outro lado, a viúva move uma ação de investigação de paternidade contra Renata. Jackson Rodrigues, advogado de Adriana, diz que há dúvidas de que Renata seja mesmo filha de Renê, o que lhe garante 50% da herança. Até o julgamento dessas duas ações cíveis, Adriana e Renata estão impedidas de sacar sua parte na herança. De acordo com o último testamento de Renê, cada uma deve ficar com 50% da fortuna.

"Se Renata tivesse mesmo certeza de que é filha de Renê, já teria feito o exame de DNA e recebido a sua parte. Como inventariante, ela recebe R$ 99 mil por mês do espólio para administrar os bens de Renê, inclusive a fazenda onde ele morou com Adriana em Rio Bonito. Porém, a fazenda está completamente abandonada: o gado está morrendo, a sede foi saqueada várias vezes e funcionários estão com salários atrasados. Como ela mesmo tem dúvidas sobre sua paternidade, não faz o DNA porque está cômodo receber quase R$ 100 mil por mês", disparou Jackson Rodrigues.

Disputa pela herança

Um dos 12 filhos de uma família simples de lavradores, Renê sempre ganhou a vida no campo. Ainda jovem, casou-se e teve sua única filha, Renata Sena. A separação ocorreu quando a menina ainda era pequena. Diabético, precisou amputar as duas pernas e passou a morar de favor na casa de irmãos. Sua vida mudou radicalmente em 2005, quando ganhou sozinho o prêmio de R$ 52 milhões na Mega-Sena. Inicialmente, o milionário fez um testamento destinando 50% da sua fortuna para Renata e o restante para seus irmãos. Após iniciar um relacionamento com Adriana Almeida, 25 anos mais nova, retirou os irmãos do testamento, colocando a cabeleireira como beneficiária da outra metade da fortuna. Atualmente os irmãos brigam na Justiça para anular o segundo testamento, e excluir a viúva da herança.

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