Viúva de desaparecido na Antártida vai processar Marinha

A Marinha informou por meio de nota que as buscas pelo segundo-sargento Olegário foram encerradas

Talita Figueiredo, especial para o Estado de S.Paulo,

23 de março de 2008 | 18h12

Maria Goretti Olegário, de 40 anos, mulher do militar que desapareceu no último dia 15, quando estava a serviço da Marinha na Antártica, vai processar o governo federal para garantir o recebimento de seus direitos de pensão por viuvez, apesar da ausência do corpo. A Marinha informou neste domingo, 23, por meio de nota, que as buscas pelo segundo-sargento Laércio de Melo Olegário, de 42 anos, foram encerradas. O militar estava na Marinha havia 23 anos, era mergulhador e morava em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Veja também:Condições climáticas dificultam busca de sargento na AntártidaMarinha abre inquérito para apurar sumiço de militar O sumiço do suboficial foi percebido quando o navio seguia das proximidades da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) em direção à Base Chilena Presidente Eduardo Frei (Base Frei), na ilha Rei George. Olegário estava desde outubro a bordo do navio e era a segunda vez que participava de uma missão na Antártica.  "Ninguém me ligou para avisar que as buscas foram suspensas. Estou muito triste, não sei nem explicar os meus sentimentos. Como podem cancelar as buscas sem falar com a família? Parece que eles não têm consideração por ele. Meu marido estava a trabalho do governo federal. Vou atrás dos meus direitos: quero a pensão, o direito de promoção e tudo o mais", afirmou Goretti ao Estado. Ela não acredita que o marido tenha se suicidado, por ser evangélico e "amar muito a família".  No dia 15 de março em que desapareceu ele voltaria ao Brasil, depois de protagonizar um incidente no dia anterior. "O comandante do navio nos disse por telefone que ele estava no bote levando algumas pessoas para o mar, quando acelerou e um colega caiu na água. Parece que ele não voltou para resgatar esse colega, que teve de ser salvo por outro bote. Meu pai falou para os oficiais que não conseguia explicar o que aconteceu por ter tido um `branco'. Aí a volta dele (ao Brasil) foi antecipada", contou a filha do militar, Aline, de 16 anos. Segundo a nota divulgada neste domingo, 23, pela Marinha, as buscas duraram uma semana, "apesar das condições meteorológicas desfavoráveis, marcadas por tempo instável, com fortes ventos ocasionais e de difícil previsibilidade, associado ao mar revolto, com ondas variando entre 1,5 e 4m". A apuração dos fatos está sendo realizada no próprio navio, por meio de Inquérito Policial Militar (IPM), aberto desde 15 de março, data do desaparecimento do sargento. O IPM tem o prazo máximo de 60 dias, a contar da data de sua instauração.

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