WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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Viúva de Marielle conta que vereadora estava despreocupada dias antes do assassinato

Último contato de Mônica Benício com a companheira foi por mensagem de celular; elas preparavam casamento para setembro

O Estado de S. Paulo

18 Março 2018 | 22h41

Companheira de Marielle Franco por 12 anos, a arquiteta Mônica Tereza Benício disse que a vereadora assassinada na última quarta-feira, 14, "estava feliz e despreocupada" nos dias que antecederam o homicídio. A viúva concedeu entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo. 

"O último contato (entre as duas) foi por celular. Ela mandou uma mensagem: ‘já estou no carro, precisa que eu leve alguma coisa?’ Eu falei que não. Entrei em casa, achei que ela fosse chegar primeiro. Ela não tinha chegado. Comecei a fazer as coisas. Liguei e ela não atendeu. Liguei de novo. Aí liguei mais uma vez. Liguei mais 20 vezes", afirmou. 

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Ela contou que recebeu a notícia da morte de Marielle de uma amiga, que foi até a sua casa. "Eu falei: 'Dani, o que aconteceu? Cadê a Marielle?' Ela falou: 'você precisa ser forte. A Marielle morreu'. E eu caí no chão, porque eu não conseguia ficar em pé", disse. Marielle e Mônica estavam preparando o casamento para setembro do ano que vem. 

Os pais, irmã e filha da vereadora falaram ao programa da indignação por conta das notícias falsas que estão circulando nas redes sociais, associando Marielle ao tráfico de drogas. "Chamar a minha filha de bandida, que defende bandido, é inadmissível", afirmou Marinete da Silva, mãe de Marielle. A irmã, Anielle Silva, disse ainda que "é inadmissível um ser humano comemorar a morte de outro ser humano. Não tem como aceitar uma situação dessa".

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A filha, de 19 anos, Luyara Santos, demonstrou gratidão pelo reconhecimento do trabalho de sua mãe, durante os protestos contra o assassinato. "Saber que o legado dela está feito e que há pessoas com ela lutando pela Justiça deixa o meu coração mais calmo. Ela era nosso melhor lado. Ela era nossa fortaleza", afirmou. 

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