Viúva de milionário é indiciada por homicídio qualificado

A ex-cabeleireira Adriana Almeida, de 29 anos, viúva do milionário da Mega-Sena René Senna, teve a prisão temporária por 30 dias, renovável por mais 30, decretada pela juíza Renata Gil de Alcântara, da 2.ª Vara Criminal de Rio Bonito, com base em escutas telefônicas e quebra do sigilo bancário. Ela foi presa na tarde desta terça-feira um hotel de luxo em Niterói, no Grande Rio, sob acusação de envolvimento na morte do marido. A juíza também bloqueou as contas bancárias de Adriana e expediu mandados de prisão contra um bombeiro, um ex-policial militar e dois PMs da ativa, que já trabalharam como guarda-costas do casal.As escutas telefônicas feitas com autorização judicial mostram que Adriana falava com freqüência com seus seguranças e que preparava fuga com a ajuda deles. A decisão de contratar seguranças sempre foi de Adriana. René Senna não costumava andar com guarda-costas - no dia da morte dele, estava desacompanhado - , ao contrário da viúva. Até o enterro do marido ela acompanhou de dentro de uma picape S-10 cercada por três seguranças.O indiciamentoDe acordo com o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, Adriana foi indiciada por homicídio qualificado, crime que prevê pena de 12 a 30 anos. "O envolvimento dela não tem como ser negado. Agora, até onde ela está envolvida ou não, a investigação vai dizer. Com ela presa teremos chances de investigar as pessoas que a cercam. Ela não terá chances de ocultar provas e afastar testemunhas", afirmou o delegado Rafik Louzada, chefe do Departamento de Polícia do Interior.A prisão foi decretada no dia 25. Na segunda-feira, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na casa da ex-cabeleireira, mas ela não foi encontrada. Adriana só foi presa nesta terça depois que uma ligação ao Disque-Denúncia informou seu paradeiro - o resort Tio Sam, em Camboinhas, Região Oceância de Niterói. O hotel pertence à família do bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão, e é o mais luxuoso da região. Chorando, ela negou envolvimento no crime. "Eu sou inocente. Não tenho nada a ver com esse assassinato".Preparando a fugaPara a polícia, ela estava se preparando para fugir. "Pessoa que tem residência fixa não se hospeda em hotel", afirmou Gilberto Ribeiro. O advogado Alexandre Dumans, que defende Adriana, nega. "Ela estava em absoluta liberdade, portanto poderia estar naquele hotel, como em Paris". Ele criticou a prisão: "Ela foi encarcerada sem que tenha sido julgada, antes do julgamento ou de uma análise da sua culpa por parte do magistrado ou mesmo de qualquer análise de um promotor.Muito mais um interesse de atender clamor público". Dumans classificou a situação de sua cliente como "dramática". "Trata-se de uma situação medieval, sem explicação."O delegado Ademir Oliveira, que comandou as investigações, não participou da prisão de Adriana. Ele teve um mal-estar enquanto estava reunido com a cúpula da Polícia Civil e foi levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, com suspeita de infarto. No hospital, foi medicado, passou duas horas em observação e liberado em seguida.Vestida de camisetas branca e cinza sobrepostas, e usando boné e óculos escuros para esconder o rosto, Adriana deixou a delegacia de São Gonçalo, no Grande Rio, onde passou a tarde, cercada por fotógrafos e cerca de 60 pessoas que a chamavam de assassina. Algumas chegaram a da socos no carro em que ela seguiu para a Chefia de Polícia Civil, no centro do Rio, onde seria interrogada na Delegacia de Homicídios - a polícia avaliou que era mais seguro que a viúva fosse ouvida na DH, do que em Rio Bonito, onde seu primeiro depoimento atraiu uma multidão furiosa.Adriana chegou ao prédio, no fim da tarde, com as mãos algemadas nas costas. A viúva passou seis minutos no elevador, cujas portas travaram, enquanto fotógrafos e cinegrafistas se revezavam para registrar a chegada dela ao prédio. Logo depois, novo constrangimento: voltou a passar diante dos fotógrafos a caminho do Instituto Félix Pacheco, onde teve de repetir o exame de corpo de delito.De lavrador a milionárioRenné Sena, de 54 anos, foi lavrador e passou a vender balas à beira da estrada, depois de ter as duas pernas amputadas em decorrência da diabetes. Em julho de 2005, ganhou sozinho o prêmio de R$ 52 milhões. Seis meses depois, começou a relacionar-se com Adriana Almeida. A família acusa a viúva de ter afastado Senna dos irmãos e de ter passado a controlar as finanças. Em 7 de janeiro, ele estava no bar que costumava freqüentar, sem os seguranças, quando foi assassinado com quatro tiros de pistola pelo carona de uma moto "roxa ou preta".No domingo passado, a polícia apreendeu a motocicleta Honda, roxa, do motorista Robson de Andrade, de 27 anos, amante de Adriana. A polícia não esclareceu se Andrade é um dos que tiveram a prisão temporária decretada. A polícia investiga ainda se um policial militar, ex-segurança da família, também seria amante de Adriana. Matéria atualizada às 22h45

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