Viúva de vencedor da Mega terá sigilo bancário quebrado

O delegado Ademir Silva, que investiga o assassinato do vencedor da Mega Sena em 2005, René Senna, de 51 anos, disse nesta sexta-feira, 12, que vai pedir a quebra do sigilo bancário e telefônico da viúva Adriana Almeida, de 29 anos, além do bloqueio da movimentação financeira da ex-cabeleireira.Ela prestou depoimento nesta sexta, cinco dias depois do crime, ocorrido em Rio Bonito, no Grande Rio. Houve tumulto. Para dispersar a multidão que tentou atacá-la, a policiais deram dois tiros para o alto e usaram gás de pimenta contra a população. Na correria, dois carros ficaram danificados.O delegado disse que a ex-cabeleireira ainda não é considerada suspeita, mas está checando informações sobre ela que chegam à delegacia. O bloqueio das contas de Adriana seria uma medida preventiva. A filha de René, Renata, acusa a madrasta de ser a mandante do crime. Silva também recebeu a denúncia de que Adriana é amante de um dos seis seguranças do milionário. Eles, que são policiais militares, serão ouvidos a partir de sexta-feira que vem.Silva disse que a versão apresentada pelos advogados de Adriana para o início do relacionamento dela e do ex-lavrador foi derrubada pelo depoimento de testemunhas. Os advogados da ex-cabeleireira contaram que o casal já havia morado junto antes do prêmio da Mega Sena. "As testemunhas disseram que eles se conheceram após René ter ficado milionário. Mas no depoimento de Adriana, ela apresenta uma terceira versão: a de que eles se conheciam desde que ela era criança. E que ele, depois de ficar milionário, procurou por ela."O delegado chegou a perguntar se Adriana amava o marido. Ela respondeu que René gostava dela. A ex-cabeleireira disse ainda que a vida sexual do casal era normal. Ela contou que controlava o dinheiro do marido e disse que guarda mágoas da família dele, que sempre a discriminou "por ser jovem e bonita".A pequena cidade de Rio Bonito, de 50 mil habitantes, parou para acompanhar o depoimento da viúva. Mesmo sob forte calor, mais de 500 pessoas se aglomeraram na porta da delegacia, que teve forte esquema de segurança. A confusão deixou o trânsito congestionado na Avenida 15 de novembro.Adriana chegou às 11h45 para o depoimento, que durou seis horas. A notícia de que a ex-cabeleireira estava na delegacia atraiu os curiosos. Na saída, ela foi chamada de "assassina" e só deu uma declaração: "Não sei quem matou. Eu sou inocente". Houve empurra-empurra. Uma moradora contou que viu a viúva ser agredida com um tapa no rosto e voltou para a delegacia.Os policiais fizeram disparos para o alto e usaram spray de pimenta contra a população para conter o tumulto. "A gente só quer ouvi-la, ver quais explicações ela tem a dar. Se não falar com a gente hoje, vamos à casa dela amanhã", ameaçou uma senhora exaltada, que não se identificou. Na confusão, a lataria de um Gol ficou completamente amassada e um Pálio teve o retrovisor arrancado. Ninguém foi preso.

Agencia Estado,

12 de janeiro de 2007 | 20h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.