''Vivemos um verdadeiro genocídio'', diz ministro

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, criticou ontem as normas brasileiras de trânsito e afirmou ser preciso "mudar muita coisa" para que os índices de violência nas estradas do País possam ser reduzidos. Para ele, tais alterações, no entanto, são difíceis de serem alcançadas, principalmente por causa da pressão de grupos econômicos. "Enquanto isso, a única coisa que a sociedade faz é chorar pelos seus mortos", desabafou.As afirmações do ministro foram feitas pouco antes de a Câmara dos Deputados votar o projeto de lei que proibia a venda de bebidas alcoólicas nas estradas. A proposta, de autoria do Executivo, foi alterada tanto na Câmara quanto no Senado, tornando menos rígida a proibição. Ontem, a Câmara votou um texto um pouco mais rígido do que havia sido aprovado no Senado. A proibição da venda de bebidas em rodovias federais é mantida, exceto nas áreas rurais. "Vivemos um verdadeiro genocídio (nas estradas)", disse o ministro. Ele disse esperar ansiosamente o dia em que toda a sociedade possa aplaudir a edição de normas corajosas, que de fato reduzam o índice de violência no trânsito no País. MUDANÇAS NA CNHTemporão defendeu também a prisão de motoristas que forem surpreendidos dirigindo sob efeito do álcool. "Eles precisam ser presos e processados." O ministro sugeriu ainda regras mais rígidas para concessão da Carteira Nacional de Habilitação. "Hoje, esse documento é entregue para pessoas que não têm condições emocionais para isso", disse.Em sua avaliação, é necessária uma revisão profunda nessas normas, que permitiriam, por exemplo, evitar casos como o do motorista Itamar Campos Paiva, acusado de ter agredido uma pedestre com uma barra de ferro no Rio .

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