Vizinho cita mais 4 em esquema contra padre

Segundo morador da rua onde fica a pensão de Anderson Batista, três ex-funcionários e uma pessoa da região pegavam dinheiro com Lancellotti

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

27 Outubro 2007 | 00h00

Mais quatro pessoas teriam envolvimento com a quadrilha que extorquiu o padre Júlio Lancellotti. Um morador vizinho da pensão que pertence a Anderson Marcos Batista, na Rua Catumbi, no Pari, disse ontem ao delegado André Luiz Pimentel, do Setor de Investigações Gerais (SIG) da 5ª Seccional, que mais um casal recebia dinheiro do religioso, a mando do ex-interno da Febem (hoje Fundação Casa). Uma ex-empregada e outro vizinho também teriam participado das ações. "Teve mais gente que ia buscar envelope com o padre. Eram sempre envelopes brancos, entregues ao Anderson num bar próximo da pensão. Toda semana ia alguém buscar dinheiro com o padre", contou o vizinho. Segundo o delegado Pimentel, a testemunha apresentou-se espontaneamente. Mas trata-se de uma pessoa que o advogado de defesa de Batista, Nelson Bernardo da Costa, já havia oferecido à imprensa para ser entrevistado. Ontem, Costa disse que só falou "que se ele (a testemunha) tivesse algo a esclarecer, que fosse depor na polícia", mas não teria mandado ninguém falar contra Lancellotti. Inicialmente, o homem disse que foi à polícia depois que repórteres o incentivaram. Depois, admitiu que havia conversado com o advogado."Achava estranho que o padre desse dinheiro para o Anderson." Uma das pessoas apontadas pela testemunha, a ex-empregada de Batista, já aparecia em gravação apresentada à polícia, onde Lancellotti reclama que o ex-interno havia ensinado sua funcionária a pegar dinheiro com ele. Há suspeita de que essa mulher ficava com parte da quantia entregue. Everson Guimarães, que está preso do Centro de Detenção Provisória(CDP) do Belém, confirmou a existência das pessoas apontadas pela testemunha. Guimarães foi preso em flagrante quando recebia R$ 2 mil do padre no dia 6 de setembro. O preso também confirma que Batista teria usado o CPF da testemunha para comprar uma televisão, um frigobar e um telefone celular. "O Anderson disse que tinha perdido o CIC e pediu para usar o meu. Falei que não tinha renda para crediário e ele pagou à vista", relatou à polícia. Antes das compras, Batista teria ido até a Igreja São Miguel Arcanjo buscar dinheiro com o padre. Mas há contradições entre as duas versões. Guimarães diz que conhece as quatro pessoas citadas pela testemunha, embora tenha começado a trabalhar na pensão em 17 de abril. Na versão colocada em depoimento ontem, a testemunha relata que as quatro pessoas não estão mais no bairro há muito tempo. Há outra contradição quando Guimarães fala sobre a cor dos envelopes com o dinheiro recebido do padre e o local de entrega do dinheiro a Anderson. "Era envelope daquela cor (aponta para um envelope pardo sobre uma mesa) e era levado para o Anderson na pensão." Agora já são oito os investigados pela Polícia no caso de extorsão - Batista, sua mulher, Conceição Eletéria, Guimarães e seu irmão Evandro já estavam na mira da polícia. "Vamos tentar descobrir quem são os outros e a participação deles no esquema", disse Pimentel.

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