Vizinhos ajudaram no resgate das vítimas

Oftalmologista Edmilson Mariano viu queda do avião de seu apartamento e correu para socorrer sobreviventes

O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2007 | 00h00

Alarmados com a fumaça preta que pairou no ar do bairro da Casa Verde, na zona norte de São Paulo, muitos vizinhos e voluntários correram para a Rua Bernardino de Sena e chegaram antes mesmo das equipes de resgate. Entraram nas casas destruídas, procuraram sobreviventes, rezaram para não encontrar mortos. Sem premeditar, viraram heróis.Entre essas histórias está a de Edmilson Mariano, de 35 anos. O oftalmologista tem o hábito de observar pousos e decolagens no Campo de Marte da sacada de seu apartamento. Ontem, viu a tragédia se anunciar quando o Learjet fez a curva para a direita. Assim que viu a trajetória estranha do avião e, em seguida, a queda nas casas, já sabia o que fazer. "Olhei para a minha mulher e disse: ?Vou para lá ajudar no que puder?." De bermuda e camiseta, correu para o endereço do acidente. Ele ajudou a socorrer uma das meninas sobreviventes, que saiu pelos fundos da casa. E organizou um ambulatório improvisado em uma das residências vizinhas. Mediu a pressão das pessoas e tentou controlar uma situação que, até aquele momento, estava incontrolável.A família Michelato foi outra que driblou a fatalidade. Pai e filho correram na direção do que chamaram de "bola de fogo". "Passou um avião ?raspando? na minha casa", definiu Ângelo. "Eu vi a fumaceira e saí correndo. Foi impressionante. O avião que caiu sumiu lá dentro, não sobrou nada", descreveu. "De repente, eu ouvi uma pessoa me chamar lá do porão: ?Seu Ângelo, nós estamos aqui?. Eu comecei a chorar. Nem sei se essas crianças escaparam. Tomara Deus que sim."DOAÇÃOSeu Ângelo conhece todas as pessoas da família, pois mora na Bernardino de Sena há 16 anos. O filho dele, Airton Michelato, entrou na casa juntamente com os bombeiros para tentar ajudar na identificação das vítimas. "Corri para lá e consegui tirar uma jovem com escombros até a cintura", comenta Airton, que disse ainda ter visto duas pessoas mortas, sentadas num sofá. "Foi uma sensação horrível."O sofá descrito por ele foi doado por José Carlos, de 40 anos, que mora no número 137 da Bernardino. "Era uma família muito humilde e resolvi doar esse sofá para eles. Estava almoçando em casa, quando ouvi um barulho de guerra. Ainda tentei fazer alguma coisa por essa gente."

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