Arquivo CIEE
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Vocação firmada e confirmada

A ponte entre escolas e empresas funciona: mais de 13 milhões de jovens foram encaminhados ao mercado de trabalho, com recebimento de bolsas-auxílio, nesses 50 anos

CONTEÚDO DE RESPONSABILIDADE DO CENTRO DE INTEGRAÇÃO EMPRESA-ESCOLA

20 de março de 2014 | 02h30

O CIEE oferece modernos e eficientes recursos para assegurar a qualidade e a legalidade dos programas de estágio e aprendizagem que beneficiam os milhares de jovens de todo o País. Sempre contando com a parceria das empresas e de órgãos públicos que, ao abrirem suas portas para a formação de novos talentos, cumprem sua responsabilidade social com o futuro da juventude.

A vocação inicial do CIEE - servir de ligação entre escolas e empresas - se concretiza nos cerca de 250 mil jovens encaminhados anualmente para estágio. Em 2013, foram 256.105 novos contratos de estágios, 10,42% a mais do que no ano anterior.

No total dos 50 anos, mais de 13 milhões de jovens foram encaminhados ao mercado de trabalho. "Realmente funciona", afirma Geraldo Ziviani, um dos fundadores da instituição. "Sempre acreditei na filosofia de trabalho do CIEE, basta ver a quantidade de estudantes beneficiados."

Setor farmacêutico. Bruno Nelson Gatti Fagundes, de 24 anos, é um dos casos de sucesso de estágio. Ele atua na multinacional Daiichi Sankyo (setor farmacêutico), que aposta no estágio para capacitar futuros talentos. Presente em mais de 58 países e com 32 mil funcionários, a empresa tem no Brasil 340 colaboradores e 17 estagiários. Aluno do quinto ano de Farmácia Bioquímica na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Fagundes declara ser essa a melhor experiência de vida no quesito profissional. "Lidar com pessoas diferentes, aprender processos novos, criar responsabilidade e ser incumbido de determinadas tarefas são um desafio que permite crescer como indivíduo e pessoa. É transformador. Tenho a certeza de que me trará novos frutos."

O estágio ajuda a desenvolver habilidades e competências. "O que mais aprendi na empresa, além das questões de organização, cumprir metas e estabelecer objetivos, foi respeitar e manter um bom convívio com os colegas. Trabalhamos com pessoas, que precisam ser motivadas e têm diferentes sonhos."

Ele conta que foi muito bem recebido, o que o deixou confortável. "O primeiro estágio numa empresa grande como a Daiichi Sankyo sempre dá um frio na barriga. Mas, desde o primeiro dia, me senti totalmente abraçado por todos, e essa sensação se firmou ao conhecer mais a empresa. O estágio, aqui, deixa de ser ‘trabalho’, torna-se ‘aprendizado’."

Segundo Priscila Moeller, coordenadora de recrutamento, seleção, treinamento e desenvolvimento da Daiichi Sankyo, os estagiários "trazem inovação, são pessoas 100% antenadas, em constante conhecimento". Com a boa taxa de efetivação de 80%, a empresa já obteve boas colocações em quatro edições do Prêmio As Melhores Empresas para Estagiar, concedido anualmente pelo CIEE.

O programa de estágios da Daiichi Sankyo visa à formação de profissionais com base sólida de conhecimento e informação adequada sobre suas carreiras. Alex da Silva, de 23 anos, é um ex-estagiário que foi efetivado. Aluno do sexto ano de Farmácia Bioquímica na Universidade de São Paulo (USP), ele diz ser "extremamente gratificante a sensação de ter seu trabalho reconhecido e a chance de crescer por conta dele, podendo vislumbrar outros horizontes e receber novas responsabilidades". Atualmente é analista de assuntos regulatórios júnior, da área que faz registro e pós-registro de medicamentos e interação com órgãos de regulação sanitária.

O jovem conta que se interessou por esta área durante o estágio na produção da fábrica. "Nas duas áreas dentro da mesma empresa pude notar a importância do trabalho em grupo e como nosso esforço, por menor ou mais simples que possa parecer, impacta no crescimento da empresa." Ele recomenda o início do estágio o mais cedo possível. "A oportunidade abre um leque mais amplo de áreas a desbravar, amplia o rol de experiências e permite que nos localizemos no mundo profissional, vendo o que realmente é atraente ou não. A entrada no Mercado de trabalho é uma consequência desse processo."

Tribunal de Justiça. São 6.900 vagas disponíveis em cartórios e unidades administrativas do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e mais 4.063 vagas de estágio para nível superior, em Direito, nos gabinetes dos magistrados em todo o Estado. Jesiel Matusalém Amaro, de 44 anos, é um dos estagiários do TJSP. Estudante de Direito, diz que o estágio é fundamental para se praticar o que se aprende na teoria.

Exemplo de esforço e dedicação - é técnico industrial e sempre trabalhou como operário -, sonhava ser advogado. Criou coragem e voltou a estudar. Terminou o ensino médio com 37 anos e entrou na faculdade com 41. "É sacrificante, mas está valendo muito a pena." Amaro quer ser exemplo para os três filhos e para esposa, que é professora. "Quero me tornar referência. Olho para trás e vejo onde estava, o que já avancei e fico orgulhoso." Ele acredita que o estágio é a melhor forma de entrar no mercado de trabalho. Agora, o sonho é ser aprovado em um concurso público. "Quem sabe, posso chegar a procurador ou defensor do Estado."

"O estágio é uma parte essencial do treinamento para a profissão e para a vida. Muitos estagiários se apaixonam pelo ambiente da Justiça e se direcionam para as múltiplas carreiras que o Direito oferece", conta o desembargador José Renato Nalini, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Para ele, o CIEE "promove um trabalho imprescindível, que deveria ser feito em conjunto pelo Estado e pela sociedade. Supre uma carência evidente, que é o hiato entre a escolar e a vida. Mostra que inflar as cabeças de informação, ausente à iniciação prática, é contraproducente. Daí o sucesso obtido pelo CIEE em suas iniciativas, que merecem o aplauso da lucidez brasileira."

Acesso ao mercado. O estágio é regido pela Lei no 11.788/2008, que define os direitos e os deveres de todos os envolvidos: estudantes, organizações contratantes e instituições de ensino. Entre os direitos dos jovens, o pagamento de bolsa-auxílio é obrigatório e deve ser somado a outros benefícios, como auxílio-transporte, seguro contra acidentes pessoais e férias remuneradas, chamadas de recesso. Mas a maioria das empresas oferece mais benefícios, como auxílio alimentação ou refeição na empresa, bolsa de estudos, assistência médica e odontológica, treinamento etc.

O CIEE tem 1,7 milhão de jovens cadastrados de todo o País, a grande maioria ainda à espera de vagas de estágio e aprendizagem em uma das 50 mil empresas (sedes, filiais e órgãos públicos parceiros) parceiras. Segundo uma pesquisa do instituto TNS InterScience, 64% dos estagiários são contratados após o primeiro ou segundo estágio. "A maioria dos jovens vê no estágio uma forma de conseguir acesso ao mercado de trabalho", diz Marcelo Gallo, superintendente de atendimento do CIEE nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Para ele, é muito gratificante saber que o seu trabalho ajuda milhares de jovens - tanto que não se esquece de um episódio que o emocionou, quando era supervisor de atendimento na unidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, no final da década de 1990. A mãe de um estagiário levou-lhe uma caixa de bombom em agradecimento ao estágio conseguido ali. "Ela contou que ele tinha mudado muito e que, com a bolsa-auxílio, comprou a primeira geladeira da casa."

Luiz Gustavo Coppola, superintendente de atendimento do Estado de São Paulo, tem uma trajetória que confirma o valor do estágio e da aprendizagem. Aos 14 anos, era aprendiz do Senai. Aos 16, atuou como efetivo numa indústria. No ensino médio, procurou um estágio no CIEE e foi encaminhado para a Caixa. Terminado o contrato, retornou ao CIEE. Surpresa: convidado para concorrer a uma vaga no próprio CIEE, foi aprovado como auxiliar administrativo e, 29 anos depois, responde por 106 pontos de atendimento no Estado de São Paulo, entre unidades e postos.

Há meses, voltou a vivenciar a emoção dos tempos de estágio e aprendizagem, ao coordenar as ações do CIEE na periferia. "Ali se evidencia à perfeição a relevância do CIEE, que vai aonde o jovem mais necessita de apoio. A receptividade confirma a importância de oferecer oportunidade para que as pessoas carentes assumam o protagonismo de suas histórias de vida."

Aprendiz na teoria e na prática. Em 2003, o CIEE abraçou a causa da aprendizagem, modalidade regulada pela Lei nº 10.097/2000, que traça as diretrizes para a formação técnico-profissional de jovens de 14 a 24 anos e determina a obrigatoriedade da contratação de cotas desse segmento por empresas. Em 2007, após firmada a parceria com a Fundação Roberto Marinho, o programa passou a se chamar Aprendiz Legal.

"É uma ótima oportunidade para qualificar os jovens que estão em situação de vulnerabilidade", avalia Eduardo Oliveira, superintendente educacional do CIEE. Em 2013, 51 mil jovens foram beneficiados com o programa, 23,65% a mais do que em 2012 e uma quantidade correspondente a 16% de todo o contingente de aprendizes no País. Desde que foi iniciado, o programa já recebeu 180 mil inscritos, dos quais 120 mil já são profissionais certificados e 60 mil estão em capacitação.

No programa de aprendizagem, os jovens dividem o tempo da semana em prática e teoria. Passam quatro dias na empresa, aprendendo as funções da área em que estão trabalhando, e um dia no CIEE, para receber a parte teórica.

Aos 19 anos, Flaviane de Oliveira Tenório cursa o terceiro ano do ensino médio. Há três meses, é aprendiz na Associação Paulista para Desenvolvimento da Medicina (APDM). "É uma oportunidade de crescer", considera. Com o sonho de fazer uma Faculdade de Veterinária, ela quis trabalhar para ganhar o próprio dinheiro. No trabalho, foi bem recebida pelos colegas. "Todos me ajudam, ficam preocupados em me ensinar." Flaviane diz que a experiência também vai ajudá-la na vida pessoal. "Aprendi a lidar com ética, isso vai ser importante."

Com contrato pela CLT, o aprendiz fica até dois anos no cargo. Como parte importante de sua ação social, o CIEE oferece gratuitamente a esses jovens, boa parte vinda de regiões periféricas de alta vulnerabilidade social, equipe de assistentes sociais, material didático, uniforme, lanche e estímulo a atividades voluntárias (campanhas de doação para entidades filantrópicas, doação de livros, doação de sangue, visitas a asilos e creches etc.).

Muitas empresas efetivam o aprendiz após o período do programa. "O programa vai além da formação profissional, forma para a cidadania, pois dá aos alunos noções de comportamento e responsabilidades", diz Oliveira.

O CIEE é reconhecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego como entidade formadora e qualificada para ministrar a obrigatória capacitação teórica nas modalidades de auxiliar de alimentação - preparo e serviço -, auxiliar de produção, logística, ocupações administrativas, práticas bancárias, telemática, telesserviços, turismo e hospitalidade e comércio/varejo. /CONTEÚDO DE RESPONSABILIDADE DO CENTRO DE INTEGRAÇÃO EMPRESA-ESCOLA

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