''''Você fica ridicularizada'''', diz agente de Guarulhos

Empresa que presta serviço de fiscalização da Zona Azul na cidade planeja campanha após casos de depressão e síndrome do pânico

Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

A violência contra operadores da Zona Azul de Guarulhos, na Grande São Paulo, só foi percebida depois que as áreas de assistência social e psicologia da Proguaru, empresa responsável pelo serviço, foram verificar os motivos de tantos afastamentos do trabalho."Eram principalmente casos de depressão, síndrome do pânico. Fizemos reuniões para saber o que poderia influenciar isso e as mulheres pediam para circular em duas, para ter rádio por causa das agressões. Infelizmente, de tanto ocorrer, a coisa já estava banalizada", afirma a assistente social Alessandra de Paiva, que planeja uma campanha para deixar claro que as agressões aos fiscais são crime.Na cidade é registrado pelo menos um caso de agressão por mês contra funcionários da Zona Azul, mas, no mês passado, foram três - dois contra mulheres. Isso num total de 50 agentes. Em Guarulhos, a atividade é tarefa predominantemente feminina - são 40 mulheres. E as ofensas - "gorda", "safada" e "prostituta" - são os casos mais comuns de agressão.A empresa decidiu recentemente encampar um processo de uma agente contra o filho de um ex-vereador, conhecido por ameaçar mulheres da Zona Azul. E., de 38 anos, a última agredida com ofensas, conta que o rapaz a xingou por dez minutos e ameaçou bater em seu rosto enquanto ela o autuava por estacionamento irregular. "Você fica perdida, ridicularizada", conta E., que trabalha há oito anos na Zona Azul, é casada e tem uma filha de três anos.Após a confusão e a chegada da polícia, o ex-vereador chegou para ver o que estava acontecendo. E. , que se recusou a revelar o nome dele, afirma estar com medo.FRASESAlessandra PaivaAssistente social"Eram principalmente casos de depressão, síndrome do pânico. Fizemos reuniões para saber o que poderia influenciar isso e as mulheres pediam para circular em duas,para ter rádio por causa das agressões. Infelizmente, de tanto ocorrer, a coisa já estava banalizada."E.*Agente de Zona Azul em Guarulhos "Você fica perdida, ridicularizada." * O nome da profissional está sendo preservado

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.