Volta a chover e buscas são suspensas

Voltou a chover forte ontem em toda a região de Navegantes e no Morro do Baú, uma das áreas que ainda sofrem deslizamentos na região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Todas as operações de resgate de corpos estão suspensas, já que os helicópteros da Força Aérea foram proibidos de pousar na área de cerca de 100 quilômetros quadrados. Policiais militares, bombeiros, soldados do Exército, pilotos, membros da Força Nacional e seis cães farejadores permanecem de prontidão no aeroporto de Navegantes e nas bases montadas em Ilhota e Gaspar. À tarde, houve falta de energia em duas ocasiões.Pelo menos 19 pessoas estão desaparecidas na área, segundo a Defesa Civil. Uma única operação de emergência foi montada para buscar desabrigados que permaneciam no Alto do Baú, uma região que continua isolada e que sofreu com vários novos desmoronamentos na tarde de anteontem e na manhã de ontem. Cerca de 60 pessoas conseguiram ser resgatadas. Elas esperavam por socorro urgente, sem comunicação, sem eletricidade e sem água potável. Pode haver mais pessoas em risco na região, à espera e ajuda.A ordem no centro de controle montado em uma sala de 35 metros quadrados em Navegantes era levar as pessoas para uma área segura mesmo que fosse à força, com o uso de algemas. "O estado de calamidade pública nos permite usar a força para retirar essas pessoas. Se não quiserem sair por bem, vão sair por mal. O nosso compromisso é salvar vidas independentemente da maneira", determinou o major Márcio Luiz Alves, diretor de Defesa Civil de Santa Catarina.O problema é que mesmo os homens do resgate não sabem mais que áreas são realmente seguras. Geólogos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) estão no Baú, mas não foram autorizados a pisar na área, já que há muita água represada nas encostas e há risco de deslizamentos - foram 4 mil em sete dias. No aeroporto de Navegantes, que a essa altura parece mais uma base militar, sargentos, tenentes e comandantes andam de um lado para o outro falando em celulares e rádios, sem que nenhuma informação concreta seja repassada. "Não há muito o que fazer até que tenhamos segurança", diz o coronel Luiz da Silva Maciel, subcomandante da Polícia Militar de Santa Catarina. "Estamos usando os helicópteros para mandar mantimentos e remédios para as áreas isoladas. O importante é manter a serenidade para continuar os trabalhos quando a situação melhorar." BALANÇOAs chuvas já provocaram 110 mortes . A Defesa Civil estima que muitos corpos ainda se mantenham sob as barreiras de terra que deslizaram das encostas. Cerca de 98% das mortes foram por soterramento. Pelo menos 78.707 pessoas continuam desabrigadas ou desalojadas. Ilhota é o município com o maior número de mortes: 37. Depois vêm Blumenau (24), Gaspar (15) e Jaraguá do Sul (13). Catorze cidades estão em estado de calamidade pública.O comandante-geral de Operações Aéreas da Defesa Civil, tenente-coronel Milton Kern Pinto, informou que aeronaves de grande porte poderão pousar na região a partir de ontem. Principalmente porque a Força Aérea Brasileira começaria a transportar a estrutura do hospital de campanha a ser instalado na BR-101, no trevo de Itajaí e Ilhota. Cerca de 40 profissionais de saúde chegaram ontem a Itajaí. O atendimento de até 400 pessoas por dia começa amanhã. São 50 tendas, com 30 leitos.Por volta do meio-dia de ontem, a BR-470 foi interditada no km 117, entre Gaspar e Blumenau. Houve desmoronamentos da pista no km 41 e o morro onde fica uma antena de celular começa a ceder. Os trabalhos para retirada de barreira que atingiu o km 235 da BR-101, em Palhoça, foram interrompidos ontem ás 18h30, por causa das fortes chuvas. A liberação da via estava prevista para hoje.

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