Volta a chover e resgates são suspensos em Santa Catarina

Pelo menos 19 pessoas estão desaparecidas na área; áreas ainda sofrem deslizamentos no do Vale do Itajaí

Rodrigo Brancatelli, enviado especial do Estado de S. Paulo e Júlio Castro, especial para o Estado,

29 Novembro 2008 | 19h19

Voltou a chover forte na manhã deste sábado, 29, em toda a região de Navegantes e no Morro do Baú, uma das áreas que ainda sofrem deslizamentos na região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Todas as operações de resgate de corpos estão suspensas, já que os helicópteros da Força Aérea foram proibidos de pousar na área de cerca de 100 quilômetros quadrados. Policiais militares, bombeiros, soldados do Exército, pilotos, membros da Força Nacional e seis cães farejadores permanecem de prontidão no aeroporto de Navegantes e nas bases montadas em Ilhota e Gaspar, todos nervosos e com grandes olheiras, sem ter o que fazer no momento.      Veja também: Saiba como ajudar as vítimas da chuva IML divulga lista de vítimas identificadas SC pode ter mais chuva e deslizamentos Defesa Civil foca esforços no Morro do Baú Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Massa doa macacão em prol das vítimas Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina  Blog: envie seu relato sobre as chuvas  Blog Ilha do sem Blumenau  Blog Desabrigados Itajaí  Blog Arca de Noé  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Tudo sobre as vítimas das chuvas     Pelo menos 19 pessoas estão desaparecidas na área, segundo a Defesa Civil. Uma única operação de emergência está sendo montada para buscar desabrigados que permanecem no Alto do Baú, uma região que continua isolada e que sofreu com vários novos desmoronamentos na tarde de anteontem e na manhã deste sábado, 29. Cerca de 60 pessoas estão esperando por socorro urgente, sem comunicação, sem eletricidade e sem água potável.   A ordem no centro de controle montado temporariamente em uma sala de 35 metros quadrados em Navegantes era levar essas pessoas para uma área segura mesmo que fosse à força, com o uso de algemas. "O estado de calamidade pública nos permite usar a força para retirar essas pessoas. Se não quiserem sair por bem, vão sair por mal. O nosso compromisso é salvar vidas independentemente da maneira", determinou o major Márcio Luiz Alves, diretor de Defesa Civil de Santa Catarina.   O problema é que mesmo os homens do resgate não sabem mais que áreas são realmente seguras. Geólogos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) estão no Baú, mas não foram autorizados a pisar na área, já que há muita água represada nas encostas e há risco de deslizamentos - foram 4 mil em sete dias.   O clima no centro de controle é de pura tensão - no aeroporto de Navegantes, que a essa altura parece mais uma base militar, sargentos, tenentes e comandantes andam de um lado para o outro falando em celulares e rádios, sem que nenhuma informação concreta seja repassada. "Não há muito o que fazer até que tenhamos segurança", diz o coronel Luiz da Silva Maciel, subcomandante da Polícia Militar de Santa Catarina. "Estamos usando os helicópteros para mandar mantimentos e remédios para as áreas isoladas. O importante é manter a serenidade para continuar os trabalhos quando a situação melhorar."   Balanço   A Defesa Civil divulgou balanço ontem, em que contabiliza 109 mortos na tragédia - foram somados os quatro óbitos registrados anteontem, após deslizamento no Morro do Baú. A julgar pelo número de desaparecidos (19), o Departamento de Defesa Civil estima que muitos corpos ainda se mantenham sob as barreiras de terra que deslizaram das encostas. Cerca de 98% das mortes foram por soterramento.   Pelo menos 78.707 pessoas continuam desabrigadas ou desalojadas. No mapa da tragédia, Ilhota aparece como o município com o maior número de óbitos: 37. Em Blumenau, houve 24 mortes; em Gaspar, 15; em Jaraguá do Sul, 13. Catorze cidades estão em estado de calamidade pública e 38 em estado de emergência.   Desde anteontem, o Comando-Geral de Operações Aéreas da Defesa Civil (COADC), com base em Navegantes, realizou 140 missões com 19 aeronaves para resgate de vítimas, transporte de feridos e de mantimentos e medicamentos. Em 95 horas de vôo, resgatou 165 pessoas.   O comandante-geral do COADC, tenente-coronel Milton Kern Pinto, afirmou que as aeronaves de grande porte poderiam pousar na região a partir de ontem. Principalmente porque a Força Aérea Brasileira (FAB) começará a transportar partes da estrutura do hospital de campanha a ser instalado na BR-101, no trevo de Itajaí e Ilhota.   Ações voltadas à reestruturação da malha viária federal e estadual, afetada pelas barreiras, não pararam mesmo com o mau tempo. Depois de seis dias interditada, a BR-101, no km 235, em Palhoça, será liberada no início da tarde de domingo, 30.   (Colaborou Júlio Castro, Especial para o Estado)

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