Volta às aulas antes do carnaval não agrada

Cerca de 6 milhões de alunos da rede estadual de São Paulo voltaram às aulas nesta quarta-feira, mas a idéia não agradou a alguns pais. "Podiam ter deixado para depois do carnaval. Vai ter de parar mesmo por causa dos feriados", diz a dona de casa Ana Dantas Santos, que tem uma filha na 3ª série da escola estadual Marina Cintra, centro de São Paulo.Ela se refere ao fato de que, segundo o calendário fixado pela Secretaria de Estado da Educação, as crianças têm três dias de aula, param por causa do carnaval e só retomam as atividades dia 18. A idéia também não agradou a Rosilda Stanichsk, que tem dois filhos matriculados na escola Rodrigues Alves, na região da avenida Paulista. "Podiam ter deixado para depois do carnaval", comenta.A Secretaria da Educação informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que optou por elaborar o calendário dessa forma a fim de dar um tempo para que professores e alunos se conheçam antes do início do planejamento, programado para a próxima semana. A idéia é que, se os professores souberem quem são seus alunos, poderão adaptar as aulas e as atividades a eles.Além disso, a legislação diz que o ano letivo deve ter 200 dias. Por isso, a expectativa é que as aulas só terminem na segunda quinzena de dezembro.O primeiro dia de aula foi marcado pela confraternização entre pais, crianças e professores. Algumas escolas, como a Máximo Ribeiro Nunes, no Parque Novo Mundo, zona leste de São Paulo, realizaram uma série de atividades artísticas para as crianças e a comunidade. "É uma maneira de atrair a atenção dos pais para a escola e incentivá-los a participar mais", diz a diretora do colégio, Florisneia Contri.A escola atende cerca de 800 crianças que vivem na Favela Funerária. Apesar disso, não tem problemas com violência nem com vandalismo e muitos pais são ativos na Associação de Pais e Mestres. "O importante é abrir os canais de comunicação", diz a diretora. Um exemplo é o habito de fixar o balancete da escola em um lugar público. "A gente prega um cartaz na parede com os dados. Todos sabem quanto entra, quanto sai de dinheiro e como usamos os recursos ."Aldeise Nascimento Costa Santos procura acompanhar o cotidiano de suas duas filhas na escola Máximo. "A gente precisa saber de tudo o que acontece e quanto mais pais fizerem isso, melhor para a escola." Zildinha Dias Ribeiro, que tem um filho no Marina Cintra, também tem esse tipo de preocupação. "Procuro acompanhar tudo, participar de reuniões e outras atividades da escola."

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