Volta às aulas ''expulsa'' flagelados de escolas

Com retomada do ano letivo, prefeituras de Santa Catarina estudam o destino de famílias desabrigadas por causa das cheias do fim do ano

Elvis Pereira e Júlio Castro, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2009 | 00h00

Quatro das cidades de Santa Catarina mais atingidas pelas fortes chuvas no fim do ano passado se preparam para retomar as aulas nas escolas da rede pública a partir de fevereiro. As Secretarias de Educação de Ilhota, Blumenau, Gaspar e Joinville providenciam reformas de prédios e planejam remanejamento de estudantes de colégios transformados em abrigo. Muitas escolas já começam a ser desocupadas por centenas de famílias que perderam suas casas.Galpões provisórios serão erguidos em Blumenau. Em Gaspar e Ilhota, as prefeituras ainda estudam o destino dos desabrigados. Em Joinville não há famílias em escolas públicas. De acordo com dados oficiais, 32.853 pessoas se mantêm na condição de desalojadas e desabrigadas em Santa Catarina desde as fortes chuvas que causaram a morte de 135 pessoas. Desse total, 5.617 são os desabrigados, mantidos em abrigos do Estado ou de prefeituras.Em Blumenau, terão de ser desativados 14 abrigos montados em escolas. O início do ano letivo já foi adiado do dia 9 de fevereiro para o dia 25. Enquanto a situação não é normalizada, a prefeitura realocará os estudantes e poderá até alugar prédios para as aulas.A cidade perdeu duas escolas e um centro de educação infantil. Ao todo, 28 das 67 creches e 16 das 50 escolas básicas foram afetadas. Para a compra de terrenos e a reconstrução das unidades, o Ministério da Educação liberou R$ 10 milhões para Blumenau. A prefeitura de Ilhota trabalha para garantir a retomada das aulas e abrigo às famílias. "Estamos correndo contra o tempo", disse o secretário de Educação, Marcelo Jacob. A previsão é que as aulas do ensino fundamental sejam retomadas no dia 16. Até lá, será necessário desocupar três escolas nas quais vivem hoje cerca de 350 desabrigados. O ano letivo começará com o funcionamento de três escolas e seis creches.Em Gaspar, as aulas também serão retomadas no dia 16, em 15 escolas de ensino fundamental e em 12 creches. Hoje, duas escolas servem de abrigo e deverão ser esvaziadas. Uma creche passará por reforma e uma outra escola foi destruída. "Sumiu completamente do mapa", disse o diretor de Ensino, André Soltau, sobre a Escola Angélica Costa, construída entre dois morros do município.Em Joinville, o retorno dos alunos às escolas está agendado para o dia 9. Das 140 escolas e creches, 23 foram danificadas durante os temporais e passam hoje por reparos. DOAÇÕESDas 5,5 milhões de toneladas de doações, entre roupas e alimentos, e os 2,5 milhões de litros de água acumulados desde o início da catástrofe das chuvas, pouco mais de 5% de todo volume continua estocado nos centros de distribuição. O maior deles está localizado em Florianópolis, onde ainda 800 toneladas de vestuários e 350 mil litros de água aguardam ser encaminhados para as cidades atingidas, localizadas no litoral norte. A população de cerca de 30 municípios da região oeste, castigada pela estiagem há três meses, também é contemplada, especialmente com água mineral.Os desabrigados têm a prioridade na distribuição dos produtos. "As casas dessas pessoas ainda serão construídas e é aí que entra a assistência. Precisamos, por exemplo, manter um estoque especial para o inverno", disse o gerente de Logística do governo catarinense, Carlos Augusto Chiamolera. Só nesta semana, foram montadas e encaminhadas do galpão da Companhia da Habitação de Santa Catarina 10 mil cestas básicas, contendo entre os produtos leite longa vida, latas de sardinha e cereais. "Temos produtos e recursos para sustentar esse pessoal, se for necessário, até o fim do ano", afirmou Chiamolera.Ele informou que as doações continuam a chegar. Nesta semana, duas carretas vieram da capital paulista com todo tipo de donativos, até mesmo brinquedos. Em contrapartida, desde o início da chegada de doações, no início de dezembro do ano passado, já foram selecionadas duas toneladas de roupas e calçados sem condições de uso. Calçados velhos e sem o par e roupas rasgadas e sujas deverão ser incinerados.

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