Volta de Dutra ainda é incógnita dentro do PT

De licença médica desde março, o presidente nacional do partido comunicou a amigos que reassumiria o cargo depois do feriado da Semana Santa

Andrea Jubé Vianna / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2011 | 00h00

Programado para esta segunda-feira, o retorno de José Eduardo Dutra à presidência do PT era um mistério até ontem. De licença médica desde 22 de março, devido a uma crise hipertensiva, o dirigente petista comunicou a amigos e correligionários que reassumiria o cargo logo após o feriado da Semana Santa.

Contudo, a direção nacional da legenda não confirma oficialmente a volta do líder partidário. O secretário-geral do PT, Elói Pietá, afirmou ao Estado que só hoje teria essa informação, ressalvando que a licença vale até a meia-noite e que Dutra poderia reassumir o posto até mesmo amanhã, terça-feira.

"Não falei com ele nesses dias, até para deixá-lo muito à vontade, não vou ficar insistindo. Além disso, ele pode reassumir (o cargo) no final do dia, amanhã, quando quiser. Não é um prazo judicial", disse.

Amigo de Dutra e líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), manteve o suspense. "Estive viajando, não tive contato com ele nos últimos dias", afirmou. Integrante da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), a mesma de Dutra, Costa é apontado como seu provável sucessor, em caso de renúncia do dirigente ao cargo.

"O PT é presidencialista, o presidente é uma figura fundamental, ainda mais um nome como o Dutra", afirmou o secretário de Comunicação, André Vargas (PR), reconhecendo dificuldades com o afastamento do dirigente. Embora o presidente interino, deputado estadual Rui Falcão (SP), siga no comando da legenda, Dutra tem perfil conciliador, ainda mais necessário ao momento atual, em que o partido se divide em torno do reingresso ou não do ex-tesoureiro e réu do mensalão, Delúbio Soares, ao seu quadro de militantes.

Por outro lado, a volta de Dutra pode deflagrar uma pequena reforma no ministério de Dilma Rousseff. A cúpula do PT quer convencer o senador Antônio Carlos Valadares (PSB) a aceitar o comando da Secretaria da Micro e Pequena Empresa para ceder a vaga no Senado a Dutra, que é o primeiro suplente.

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