Volume de dinheiro falsificado preocupa Banco Central

A perfeição na falsificação das cédulas de R$ 50 tem preocupado comerciantes, o Banco Central e a polícia. Nas estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), os vendedores de bilhetes têm uma máquina para testar notas. O mesmo acontece nos pontos-de-venda de passagens do Metrô. Em centenas de postos de gasolina, grandes magazines e supermercados, máquinas para teste de notas também estão instaladas."Não dá para confiar nas cédulas de R$ 50, R$ 10 e R$ 100", diz Rubério Lisboa, dono de uma padaria na Vila Guilherme, zona norte da capital.Ele recebeu diversas notas falsas no ano passado. Hoje, quando alguém paga com cédulas de R$ 50 e R$ 100, Lisboa pede que o cliente espere e passa a nota pela maquininha de teste.O comerciante quer que o Banco Central pague o valor do dinheiro falso. "Compete ao governo combater falsários. Dinheiro é coisa muito séria, não pode ser falsificado."José dos Santos Barbosa, chefe do departamento do Meio Circulante do Banco Central, tem se reunido com os responsáveis pela Casa da Moeda na tentativa de encontrar um meio de "melhorar a cédula" de R$ 50 e dificultar a falsificação. "As cédulas de R$ 50 foram emitidas pela Casa da Moeda em 1994. Quase nove anos depois é a mesma, e os falsários se modernizaram, usam máquinas de impressão e scanners de última geração."Eduardo Paulino desenvolveu a máquina que vem sendo utilizada há mais de seis anos em quase todo o País no exame das cédulas. Segundo ele, desde o ano passado um grupo de falsários está fabricando notas de R$ 50 quase perfeitas: "Os bandidos atingiram um estágio de precisão na impressão e cores, a olho nu fica difícil saber se a nota é falsa."Nos últimos cinco anos foram apreendidas no País 1,7 milhão de notas falsas. São Paulo é o Estado que apresenta o maior número de falsificações - cerca de 50%. Em 2001, no País, foram apreendidas 379.995 cédulas falsas. Em 2002, caiu para 356.940. "Diminuiu a apreensão de cédulas, mas houve aumento no valor das notas falsas porque as de R$ 50 passaram a ser mais falsificadas", diz Barbosa. "Antes,os bandidos geralmente falsificavam notas de R$ 10."Em 2002 a polícia apreendeu 152.798 cédulas de R$ 50. Em 2001 foram 143.513. As cédulas de R$ 10 - tanto a normal quanto a de polímero (plástico) - também continuam sendo adulteradas. Os criminosos também costumam falsificar notas de R$ 20.Técnicos do Departamento do Meio Circulante do Banco Central afirmam que 60% dos repasses de cédulas falsificadas poderiam ser evitados se as pessoas se habituassem a procurar a marca d?água nas notas, olhando-as contra a luz. "No Brasil ninguém tem o costume de observar o dinheiro que recebe e carrega no bolso", concorda Manoel Camassa, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), que investiga os falsificadores.Quem tenta fazer compras com cédula falsa, mesmo que a tenha recebido de boa-fé, corre o risco de passar até dois anos na cadeia, informou o delegado Camassa. Segundo ele, a pessoa deve procurar o Banco Central assim que desconfiar da veracidade da nota.Os postos de serviço e os restaurantes nas margens das estradas são constantes vítimas dos falsários. "Estamos fazendo uma campanha no País para alertar as pessoas", diz Barbosa. A estratégia já deu certo para as cédulas pequenas. "Infelizmente os falsários migraram para as notas de R$ 50."Segundo o especialista, funcionários de empresas, bancos e associações comerciais têm recebido treinamento para reconhecer o dinheiro. O BC também distribui, nas principais capitais, folhetos com orientações sobre como examinar e conhecer o dinheiro. "O BC está aberto para quem quer conhecer as cédulas e as moedas, também muito falsificadas", ressalta Barbosa.Comerciantes afirmam, porém, que as pessoas se ofendem se suas notas são examinadas pelos caixas. "Todos deveriam colaborar e não se irritar", acredita Barbosa.

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