Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

Voluntários atuam em 77% das entidades assistenciais no País

Pesquisa do IBGE mostra que quem trabalha de graça é frequente em cidades que têm entre 50 mil e até 100 mil habitantes (83,9%)

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2015 | 10h00

BRASÍLIA - Mais de 77% das entidades privadas de assistência social sem fins lucrativos contam com a ajuda de voluntários, revela pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE) nesta quarta-feira, 30.

Entre novembro de 2014 e julho de 2015, o instituto pesquisou, por telefone, 16.984 estabelecimentos em todo o País. Tratou-se da segunda etapa de uma pesquisa iniciada em 2013, quando foi identificado o universo de entidades desse setor. Nesta segunda etapa, divulgada nesta quarta, 13.659 estabelecimentos foram considerados ativos e adequados ao âmbito da pesquisa - outros 1.259 não responderam, 552 não foram localizados por telefone, 378 estão paralisados, 369 estão inativos e 767 funcionam, mas não se adequam ao âmbito da pesquisa.

Dessas 13.659 entidades assistenciais, 10.537 (77,1%) contam com pessoas que trabalham de graça. Desse grupo de voluntários, 80,4% colaboram até 10 horas por semana. Outros 11% trabalham de 11 a 20 horas, 5,8% de 21 a 40 horas e 2,8% colaboram por mais de 40 horas semanais.

Os voluntários são mais frequentes em cidades com mais de 50 mil e até 100 mil habitantes (83,9%). Quanto à distribuição territorial, há mais gente que trabalha de graça no Centro-Oeste (81%) e menos no Norte (68,5%).

Segundo a pesquisa, 68,1% das entidades têm funcionários contratados, que são mais comuns no Sudeste (76,3%) e mais raros no Nordeste (54,6%).

Benefícios. O benefício mais comum oferecido pelas instituições é a alimentação, ofertada por 82,3% das unidades. A comida pode ser pronta para o consumo (81,7% desse grupo) ou em cestas básicas (40,8%).

Segundo a pesquisa, 48,9% das unidades oferecem doação de bens ou outro tipo de auxílio material. Desse grupo, a grande maioria (76,2%) oferece agasalhos ou outro tipo de roupa, cobertores, móveis, colchões ou utensílios domésticos; 48,6% oferecem fraldas infantis ou geriátricas; 41,6% fornecem material escolar ou esportivo e uniformes; 39,6% dão aparelhos ortopédicos, próteses, óculos, dentaduras, cadeiras de roda ou muletas; e 38,2% fornecem medicamentos ou vacinas.

Entre os auxílios oferecidos também figuram enxoval para gestantes e recém-nascidos (29,1%), pagamento de exames médicos (24,1%), fotos e segunda via de documentos (20%), transporte de doentes e apoio financeiro para tratamento de saúde fora do município (19%), passagens para pessoas em trânsito intermunicipal ou interestadual (15,1%), pagamento de aluguel, taxas ou contas de água, energia elétrica ou gás (14,5%), auxílio para construção (13,8%) e urnas funerárias e sepultamento (11,8% das entidades).

Entre os serviços de proteção social básica prestados pelas unidades, o mais frequente é o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, que visa ampliar os vínculos familiares e a socialização: 75,4% das unidades oferecem esse tipo de auxílio. Auxílio na defesa e garantia de direitos é o segundo tipo de ajuda mais comum, ofertada por 21,5% das entidades; 21% delas oferece proteção para deficientes ou idosos.

Distribuição pelo País. As entidades de assistência social são mais comuns nos Estados de São Paulo (3.917 unidades, ou 28,7% do total), em Minas (2.341 unidades, 17,1%) e no Paraná (1.474 entidades, 10,8%). Os Estados com menos unidades são Rondônia, Tocantins e Alagoas (0,5% em cada um desses Estados, respectivamente com 72, 69 e 63 unidades), Amazonas (0,3%, 35), Acre e Amapá (0,1% e 12 unidades em cada) e Roraima (3 unidades, o que corresponde a menos de 0,1%).

Cidades com mais habitantes dispõem de maior número de entidades, que são mais raras nas cidades menores: 28,4% das unidades ficam em municípios com mais de 500 mil habitantes, enquanto só 3% delas atuam em cidades com até 5 mil moradores.

Mais conteúdo sobre:
IBGE assistência social

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.