Voo 447 tinha instrumentos desatualizados, diz investigação

Mas Paul-Louis Arslanian afirma que é preciso evitar conclusões precipitadas sobre a causa do desastre

Associated Press,

06 de junho de 2009 | 09h04

A agência que investiga a queda do voo 447 disse que a Air France não havia substituído os instrumentos que avaliam a velocidade do ar em torno do avião, uma medida que havia sido recomendada pelo fabricante.

 

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O chefe da agência, Paul-Louis Arslanian, disse que alguns problemas já eram conhecidos nos instrumentos do Airbus 330, o modelo que desapareceu sobre o Atlântico.

 

Arslanian disse que a Airbus havia recomendado que as companhias aéreas trocassem os instrumentos do A330. O chefe da investigação disse que a Air France não havia trocado os instrumentos conhecidos como tubos Pitot do avião que caiu.

 

Arslanian advertiu, porém, contra conclusões precipitadas. Ele disse que aviões podem voar em segurança com "sistemas danificados". Um memorando da Air France, divulgado na sexta-feira, informa que os tubos Pitot estão sendo substituídos em todos os Airbuses de rotas de médio e longo alcance.

 

Mais cedo, Arslanian já havia dito que sinais emitidos pelo avião antes de seu desaparecimento mostram que o piloto automático estava desligado. O avião enviou 24 alertas automáticos de anomalias nos minutos antes de desaparecer. 

 

Ele disse que não está claro se o piloto automático foi desativado pelos pilotos ou se desativou-se por ter recebido dados contraditórios referentes à velocidade do vento.

 

A Airbus, fabricante do avião, disse que a investigação mostrou que o voo havia recebido informações contraditórias de diferentes instrumentos, enquanto lutava para sair de uma grande tempestade elétrica.

 

O chefe da investigação na companhia, Alain Bouillard, disse ainda que "também vimos mensagens que mostram que o piloto automático não estava operando".

Arslanian disse que os investigadores estão analisando 24 mensagens enviadas automaticamente pelo avião durante os últimos minutos do voo. Ele disse que as buscas por destroços envolvem várias centenas de quilômetros quadrados.

 

Sinalizador

 

É vital encontrar um sinalizador chamado "pinger", que deveria estar preso aos gravadores de voz e dados do cockpit, e que agora, presume-se, estão no fundo do Atlântico, disse ele.

 

"Não temos garantias de que o pinger esteja ligado aos gravadores", disse Arslanian.

Mostrando um pinger na palma da mão, ele afirmou: "É isto que estamos procurando, no meio do Oceano Atlântico".

 

Os investigadores tentam determinar a localização dos destroços com base na altitude e velocidade do avião no momento em que a última mensagem foi enviada. Correntes podem ter dispersado os destroços pelo fundo do mar, disse ele.

 

"Vejam a complexidade do problema", declarou.

 

Laurent Kerleguer, um engenheiro especializado em fundo oceânico e que trabalha com a equipe de investigação, disse que a área vista como a mais promissora tem 4,6 quilômetros de profundidade em seu ponto mais profundo e 864 metros no mais raso.

 

A temperatura e a salinidade da água podem afetar a distância que o sinal do pinger é capaz de viajar, disse ele.

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