Vôo de SP, só para 33 destinos

Congonhas deixa de ter rotas para Norte, Nordeste e extremo Sul

Bruno Tavares e Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2021 | 00h00

A Anac entregou ontem ao Ministério da Defesa a proposta de nova malha aérea para o País, com o objetivo de desafogar o Aeroporto de Congonhas. As principais mudanças são a redução para 33 operações por hora (equivalente a 10% do movimento atual), a proibição de escalas e conexões e a permissão somente para vôos ponto a ponto no raio de mil quilômetros. Com a restrição de distância, não haverá mais pousos nem decolagens de Congonhas para o Norte, o Nordeste, o extremo Sul e o exterior. Ficam vetados, por exemplo, os vôos diretos para Belém, Porto Seguro, Cuiabá, Fortaleza, Ilhéus, Recife e Salvador. Todos estão sendo transferidos para o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Só 33 destinos estão autorizados. Embora o Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea) tenha autorizado até 47 pousos ou decolagens por hora, a Infraero argumentou que o terminal não deve receber mais de 4.700 passageiros por hora - a capacidade é para 5.100. Para estabelecer o limite de operações, os técnicos consideraram o número médio de assentos de um avião comercial - em torno de 170 lugares. "Esses cálculos não são precisos, uma vez que a taxa média de ocupação das aeronaves têm sido de 65%", ponderou uma fonte do setor. "Há uma margem para voltar a operar mais vôos." Com as alterações, a TAM passará a operar vôos diretos de Congonhas para 19 aeroportos: Santos Dumont e Tom Jobim, no Rio; Brasília; Campo Grande; Confins; Curitiba; Caxias do Sul; Florianópolis; Goiânia; Foz do Iguaçu; Joinville; Londrina; Maringá; Navegantes; Porto Alegre; Ribeirão Preto; São José do Rio Preto; Uberlândia e Vitória. A Gol não detalhou as mudança que fará. As medidas para descongestionar Congonhas foram determinadas pelo Conselho de Aviação Civil (Conac) no dia 20 de julho, três dias depois do acidente com o avião da TAM no aeroporto paulistano, que deixou 199 mortos. Em nota divulgada ontem, a Anac informou que vai ''''monitorar contingências para os passageiros que compraram passagens anteriormente com previsão de conexão e escala em Congonhas, com o objetivo de fazer com que o usuário chegue ao destino com o mínimo de transtorno possível". Não esclareceu, no entanto, como será feito o monitoramento. O que mais deve desagradar os passageiros é a proibição de escalas e conexões no aeroporto. Quem costumava sair do interior paulista, descer em Congonhas e embarcar num vôo para Brasília, por exemplo, terá de planejar toda essa logística por conta própria. Pelas novas regras, será preciso descer do avião, retirar a bagagem e fazer um novo check-in antes de seguir viagem. E pior: comprar uma segunda passagem e pagar mais uma taxa de embarque (cada uma custa R$ 19,62). Depois de várias tentativas frustradas de reverter as restrições, decididas pelo Conac, as companhias torcem agora para que o governo ceda a uma eventual pressão popular. "Não há nenhuma justificativa plausível para essa proibição absurda. Vamos retroceder 30 anos na aviação", protesta um executivo do setor. "Mais cedo ou mais tarde isso terá de ser revisto."

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