Vôo do presidente da Infraero atrasa 3 horas em Brasília

Brigadeiro José Carlos Pereira quase perde compromisso por conta do imprevisto

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 19h16

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, foi nesta segunda-feira, 2, uma das vítimas do caos aéreo. Como muitos passageiros que, no domingo, viram 37% dos vôos programados nos principais aeroportos do País atrasarem mais de uma hora, Pereira amargou três horas de espera no saguão do aeroporto de Brasília durante a manhã. O vôo da Gol que o levaria para o Rio, programado para as 7 horas, só saiu às 10 horas. O avião, que vinha de Porto Velho (RO), chegou à capital federal às 8h40, contou o brigadeiro, e demorou ainda mais de uma hora para levar vôo. Por pouco, Pereira não chega ao Rio a tempo de mostrar ao presidente Lula as instalações do novo terminal de passageiros do aeroporto Santos Dumont, no centro da cidade, onde a estatal investiu R$ 390 milhões. O presidente da Infraero disse não saber o motivo do atraso de seu vôo, mas informou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está investigando. Pereira disse que sempre viaja em vôos comerciais e que esta foi a quarta vez que enfrentou atrasos desde o início do apagão aéreo. "Eu sempre sofro, sou um passageiro normal. Entro na fila como todo mundo. É a única maneira de ver o que está realmente acontecendo. Eu vi hoje mais uma vez", resignou-se. Indagado pelo Estado se, durante a espera, ficara nervoso ou conseguira relaxar, Pereira mostrou bom humor e riu com a referência ao conselho da ministra do Turismo, Marta Suplicy. "Ah, está bom, gente", disse, sorrindo. O brigadeiro até tentou dizer que se sentira bem diante da espera em Brasília, mas acabou desabafando: "Três horas de atraso é realmente muita coisa. Evidentemente, os passageiros do avião não estavam nada satisfeitos. Nem eu." Ele contou não ter sido abordado pelos outros passageiros com quem dividiu o martírio e se queixou de ter chegado atrasado ao Rio. Controladores O brigadeiro afirmou concordar com o brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, que considera que uma gratificação específica como forma de incentivar os controladores de vôo não é boa idéia. "Dar uma gratificação para uma categoria exclusiva não é uma solução. Vai gerar um problema maior. E os técnicos? E o resto das Forças Armadas? É complicado." Para Pereira, "o controle (aéreo) está controlado" e a saída para a crise está na coordenação dos planos da Infraero, Anac e Aeronáutica. No entanto, ressaltou, um plano aeroviário consistente só ficará pronto em um ano. O brigadeiro disse não temer novo colapso durante o Pan e as férias de julho. Ele atribuiu o problema no fim de semana a "um fenômeno meteorológico incrível." Segundo ele, o sistema foi surpreendido pelo fechamento do aeroporto de Viracopos, raramente atingido por nevoeiros, que reteve em Campinas os aviões que haviam sido deslocados de São Paulo para lá. "Aí, com os três aeroportos de São Paulo fechados, a malha aérea do País inteiro foi para o espaço." O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, também acompanhou a visita de Lula ao Santos Dumont, mas evitou os jornalistas. Disse apenas que a agência está "processando" o que aconteceu no fim de semana. Sobre as suspeitas de que as empresas aéreas possam ter praticado overbooking, Zuanazzi afirmou que a Anac mantém vigilância constante das companhias. Ao lado do governador do Rio, Sergio Cabral, o presidente caminhou por alguns minuto pelo novo terminal. Do lado de fora, fez questão de se aproximar de um grupo de operários que trabalham nas obras e os cumprimentou. Atrasos Um boletim divulgado na tarde desta segunda-feira pela Infraero aponta que 25,7% dos vôos programados para todo o País até as 15 horas sofreram atrasos de mais de uma hora. Além disso, 8% das operações foram canceladas. Porém, até este horário, apenas 2,2% dos vôos continuavam atrasados. Dos 1.105 vôos previstos, 285 atrasaram, enquanto 89 foram cancelados. Contudo, às 15 horas, somente 25 operações permaneciam fora do horário previsto. Pela manhã, 20,2% dos vôos atrasaram e 7,3% foram cancelados. Das 623 operações programadas até 10 horas, 126 tiveram atrasos superiores a uma hora e outras 48 foram canceladas. (Alexandre Rodrigues, do Estadão, e Fabiana Marchezi, do estadao.com.br) Matéria ampliada às 17h37

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