Voto de Jobim em Serra era sabido, diz Temer

Vice-presidente afirma que Dilma havia sido informada pelo ministro e lembra divisão do PMDB na eleição de 2010

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2011 | 00h00

AGÊNCIA ESTADO

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), minimizou ontem as declarações do ministro da Defesa, o também peemedebista Nelson Jobim, que revelou ter votado no tucano José Serra, adversário de Dilma Rousseff na sucessão presidencial de 2010. De acordo com Temer, a revelação não coloca em risco o cargo de Jobim. "A franqueza dele não altera a posição dele no governo", garantiu.

Jobim, que foi ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, contou sobre sua escolha em entrevista publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo. "Eu votei no Serra."

Ontem, durante a inauguração da Ponte Governador Orestes Quércia, em São Paulo, Temer contou que não se surpreendeu com as declarações. "O Jobim é muito franco. Ele disse uma coisa verdadeira, que ele já havia me contado e que já havia dito à presidente Dilma Rousseff. Ele é um quadro muito valoroso do PMDB e faz um trabalho excepcional no Ministério da Defesa", enfatizou.

Temer lembrou a divisão interna do partido durante a campanha presidencial de 2010. Em alguns Estados, como São Paulo, o PMDB apoiou o candidato do PSDB e, em outros, como no Rio, esteve no palanque de Dilma. "Nem todos os peemedebistas votaram na chapa", reforçou. Segundo ele, a importância de Jobim no governo supera o fato de ele ter votado contra a orientação do PMDB nacional. "A grande maioria votou na chapa Dilma-Temer. Outros tiveram dificuldades, mas foram compreendidos", disse.

Superada as divergências internas, o vice-presidente disse que o PMDB vive agora um momento diferente da época do ex-governador Orestes Quércia, um dos líderes peemedebistas que mais resistiu à coligação com o PT de Dilma Rousseff. "Hoje o PMDB é um partido unidíssimo", frisou.

Crise nos Transportes. Indagado se a "faxina" realizada no Ministério dos Transportes poderia se estender a outros ministérios, inclusive nos da cota do PMDB, Temer seguiu na mesma linha da presidente Dilma: "Todos os partidos têm de se submeter aos regimes normais de controle, porque o governo tem de prestar contas à sociedade brasileira". "A fiscalização há de ser normal a todos os partidos que integram o governo", afirmou.

De acordo com o vice-presidente, não está descartada a possibilidade de novas mudanças nos Transportes. "Evidentemente que o ministro (Paulo Sérgio Passos) continuará verificando se houve desajustamentos lá e, se houver desajustamentos, tomará as providências", avaliou. No entanto, Temer acredita que as principais mudanças já foram feitas. "Acho que, a essa altura, é retomar o rumo normal do Ministério dos Transportes."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.