'Vou concluir o mandato na maior tranquilidade'

Gastão evita criticar antecessor, mas diz que não costuma 'ter essa prática' de usar servidores públicos para fins pessoais

Entrevista com

RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2011 | 03h07

O susto de Gastão Vieira com o novo cargo já passou. Em entrevista ao Estado, o ministro do Turismo - que substituiu Pedro Novais, varrido da Esplanada após a sucessão de escândalos - diz que está tranquilo e vai ficar até o fim.

Na sua posse, a presidente Dilma defendeu "escolhas políticas". Sua indicação foi vitória do senador José Sarney (PMDB-AP)?

Dizer isso seria dizer que o partido a que pertenço não teve nenhum papel na minha indicação. Contei com o apoio integral da bancada: do líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), do vice-presidente Michel Temer e é claro que, sendo do Maranhão, ligado politicamente há muito tempo ao senador Sarney, não seria ele que não iria vibrar com minha indicação.

Sarney desempenhou um papel forte.

Sou maranhense, pertenço ao mesmo grupo político do Sarney. Tenho uma história de vida no Parlamento, penso pela minha própria cabeça. Muitas vezes sou muito mais fiel ao meu eleitor do que a qualquer conveniência política, tá certo?

Saiu um deputado do Maranhão, do PMDB, aliado de Sarney, e assume outro deputado do Maranhão, também do PMDB, outro aliado de Sarney. O que muda, de fato?

São as circunstâncias da vida. Sou maranhense, tenho orgulho, sou parlamentar, tenho orgulho, sou do PMDB, sou aliado do Sarney.

O PMDB começou o governo Dilma com cinco ministros, mas três já caíram em um intervalo de nove meses. O sr. acha que vai conseguir chegar ao fim do mandato sem escândalos?

Não vou cair. Assumo o trabalho que vou fazer, tenho espírito público, uma história de vida conhecida. Não vou cair. Vou chegar ao fim do mandato na maior tranquilidade. Depende de mim esse bom trabalho e tenho certeza de que posso fazê-lo.

No seu discurso de posse, o sr. disse que aceitou o convite da presidente com medo, assustadíssimo. O espanto já passou?

Ah, claro. Não sabia, naquele momento, a dimensão do trabalho que teríamos de realizar. Uma semana depois, conhecendo os projetos, estou tranquilo.

Seu antecessor pediu ressarcimento à Câmara de despesas em motel e caiu após revelação de que pagou com dinheiro público o salário da governanta e de que a mulher usava irregularmente funcionário da Câmara como motorista particular. O que acha disso?

A Câmara tem de definir melhor a utilização da verba indenizatória, porque muitas vezes um parlamentar é acusado de ter praticado um ato que não é ético, mas ele não praticou ato que não é legal. Compete à Câmara clarear a utilização da verba indenizatória, deixar mais claro o que pode e o que não pode.

O sr. não acha que o ministro Pedro Novais errou?

Não vou julgar o ministro Pedro Novais. A regra prevalecente para a utilização da verba indenizatória não era suficientemente clara para dizer que ele não podia fazer aquilo.

O sr. usou ou usa servidores públicos para fins pessoais, como fez Pedro Novais?

Absolutamente, não. Todo meu pessoal da Câmara foi exonerado, não pertence mais ao meu gabinete. Quem ficou com meu suplente ficou, quem não ficou está desempregado. E eu não costumo ter essa prática.

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