'Vou levar uma testemunha para o promotor'

Autor das denúncias sobre suposta venda de emendas na Assembleia afirma que, se quebrar sigilo, MP chega a nomes

Entrevista com

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2011 | 03h06

"Vou dar informações para o promotor identificar nomes, se ele quiser", avisa Roque Barbiere (PTB), deputado estadual que abalou a Assembleia Legislativa de São Paulo, a maior do País, com denúncias sobre suposto esquema de venda de emendas parlamentares.

Ontem à tarde, em São Paulo, após um lanche - pães de queijo e duas latas de refrigerante -, logo que chegou de sua Birigui, a 500 quilômetros da capital, Barbiere reiterou que não pretende dar nomes de seus pares, porque a delação não é de seu feitio.

Ainda emocionado e eufórico com o nascimento da filha - Tereza Maria do Rosário, "esta luz enviada dos céus", nasceu prematuramente em 29 de setembro, na cidade de Araçatuba - o petebista aguarda a hora para depor ao Ministério Público Estadual.

O sr. vai apontar nomes à promotoria?

Eu morro, mas não dou nomes. Até porque não vai mudar o sistema. Posso dizer que vou levar ao promotor (Carlos Cardoso, da Promotoria do Patrimônio Público e Social) elementos que lhe permitirão seguir caminho seguro para descobrir nomes.

Que informações são essas?

São dados necessários para que o promotor possa tirar suas conclusões. Se ele quebra o sigilo, ele descobre, identifica.

O sr. vai apresentar provas?

Vou levar uma testemunha. Uma pessoa que conhece muito, sabe falar certas coisas importantes. Vai me acompanhar para relatar de livre e espontânea vontade. Cada dia recebo mais informações. Ninguém manda emenda para onde não tem voto, ninguém em toda essa galáxia.

Essas informações vão levar aos nomes?

Sim, (o Ministério Público) poderá chegar a alguns nomes de deputados e ex-deputados.

Qual o seu real objetivo?

Colaborar para acabar com o atual sistema de emendas. Minha cruzada só tem uma finalidade: dar transparência total à tramitação das emendas. Jamais pretendi enxovalhar meus colegas. Afirmo que a grande maioria dos deputados é gente de bem, honesta. Acho isso de coração.

Mas o sr. não comparou a Assembleia a um camelódromo?

Eu renuncio ao meu mandato se alguém provar que eu disse isso. Nunca tinha ouvido falar essa palavra, só conhecia sambódromo.

Onde pretende chegar?

Minhas denúncias já deram um bom resultado para a Assembleia. Ainda que apareça apenas o nome de meio deputado minhas denúncias já seriam válidas. Ajudei a Assembleia. Já houve grande avanço, com a disponibilização de dados na internet e a inclusão das emendas no orçamento. As denúncias serviram para alguma coisa. Sou um cara verdadeiro, prezo muito isso. Não quero aparecer na mídia, quero ajudar a limpar um pouco a sujeira antes de voltar para a roça.

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