Voz de d. Odilo reflete o que pensa de fato o episcopado brasileiro

Análise

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2010 | 00h00

A palavra do cardeal d. Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, capital do Estado que concentra o maior colégio eleitoral do País, terá peso considerável na campanha para o segundo turno, mesmo que não tenha citado nenhum dos candidatos. Mas o cardeal dá um importante passo adiante. Alinhado à posição oficial da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que, sem citação de nomes, recomenda o voto em "pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida", d. Odilo defende a inclusão explícita do aborto nos debates do segundo turno.

Sem declarar sua preferência pessoal, como cidadão e membro da hierarquia católica, o cardeal busca evitar discussões superficiais, exigindo "posicionamento claro" dos dois presidenciáveis sobre o aborto, "uma das questões que os eleitores querem saber". Significa que, para o arcebispo, ou seja, para a Igreja Católica, não bastam declarações genéricas. É necessária uma posição sem disfarces, respondendo sim ou não, quando se pergunta ao candidato ou à candidata se é contra ou a favor do aborto, em qualquer circunstância.

O arcebispo escolheu local e hora para falar sobre a questão - o Hospital do Amparo Maternal, na véspera do dia dedicado ao nascituro, durante a Semana Nacional da Vida, celebrada em todas as dioceses do País. Ex-secretário-geral da CNBB, d. Odilo interpreta corretamente o pensamento do episcopado. Os bispos são unânimes ao defender o direito da vida, sem nenhuma exceção para o aborto provocado, pois só o aborto espontâneo seria admissível. Além dele, outros se manifestaram a esse respeito, alertando os fiéis para o dever cristão de votar conforme sua consciência. Uma exceção no episcopado foi o bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, que recomendou aos eleitores não votar em Dilma nem em candidatos do PT. Posição pessoal que d. Odilo considera legítima, embora não seja a sua nem a da CNBB.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE S. PAULO"

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