Wagner busca a reeleição com apoio de carlistas

Aliados de ACM, 3 anos após sua morte, recebem convites do governador petista para ocupar vagas nobres na sua chapa

Marcelo de Moraes e Tiago Décimo, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2010 | 00h00

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), deverá buscar a reeleição com uma inesperada parceria política, reunindo expoentes do movimento carlista. Menos de três anos depois da morte do senador Antonio Carlos Magalhães, antigos aliados como o senador César Borges (PR) e o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia Otto Alencar já receberam convites feitos por Wagner para ocupar vagas nobres em sua chapa.

Nas negociações, conduzidas pessoalmente por Wagner, ficou acertado que o PP deve se coligar com o PT e outros partidos de esquerda (PSB, PC do B e PDT), abrindo uma vaga para Otto Alencar, que se filiará ao partido nos próximos dias. Vice-governador da Bahia entre 1998 e 2002, quando chegou a assumir interinamente o governo, Otto atingiu o posto por conta de sua ligação com o carlismo. O governador deve oferecer a ele duas opções: concorrer a uma das duas vagas para o Senado ou se lançar como candidato a vice-governador.

Protestos. Essa articulação já tinha sido suficiente para provocar protestos dentro do PT. A situação ficou pior, porém, quando o governador decidiu negociar também com César Borges, que era governador do Estado quando Otto ocupava a cadeira de vice.

Borges só deixou o antigo PFL depois da morte de ACM, ao lado de quem construiu sua carreira política. Para ele, Jaques Wagner ofereceu apoio na disputa por uma vaga no Senado.

Com a perspectiva de ter dois remanescentes do carlismo na chapa, a esquerda petista decidiu reagir e lançou o ex-governador e ex-ministro da Defesa Waldir Pires (PT) para o Senado. O grupo também passou a desfilar com adesivos defendendo o lançamento de um "candidato de esquerda".

No fim da semana passada, no evento de posse da nova diretoria do PT baiano, Pires foi aclamado pela plateia e confirmou que gostaria de concorrer a uma vaga no Senado. "Se o partido quiser, serei candidato com muita alegria", afirmou.

A possibilidade de Pires formar a chapa tem o apoio de lideranças importantes do partido no Estado, como os deputados Zezéu Ribeiro e Emiliano José. O governador continua insistindo, porém, na tarefa de atrair "novos aliados" para a chapa.

"Temos de escolher se vamos decidir pela chapa dos nossos sonhos ou por uma chapa que reúna os sonhos e o compromisso de dar continuidade ao nosso projeto político, vencendo as eleições", afirmou o governador no encontro.

"Entendemos a posição do governador e acho possível esse chamado chapão. Mas a decisão será tomada de forma colegiada dentro do PT", diz o deputado Sérgio Carneiro (PT).

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