Wagner critica atuação de general do Exército durante greve da PM na Bahia

Governador também defendeu o fortalecimento da Corregedoria para separar 'bons e maus' policiais

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2012 | 17h59

SALVADOR - Destacado para comandar as tropas do Exército durante a greve da Polícia Militar na Bahia, o general Gonçalves Dias, comandante da 6ª Região Militar, teve sua atuação na operação de cerco aos manifestantes que ocupavam a Assembleia Legislativa criticada pelo governador Jaques Wagner, na manhã desta segunda-feira, 13.

"Eu entendo que, na boa fé, ele fez um esforço para tentar distensionar (o cerco aos manifestantes), mas a forma pode não ter sido a melhor", avalia. De tão próximo dos manifestantes, Dias chegou a receber deles um bolo no dia de seu aniversário (dia 7) e se emocionou com a homenagem.

"O retorno disso (a aproximação de Dias com os manifestantes) foi eles se acharem mais fortes, terem a impressão de controle da situação", afirma Wagner. "A partir daí (do aniversário), mudou-se a estratégia. Houve um endurecimento no cerco que levou ao fim da ocupação."

Durante o dia, o general se reuniu com o comando da Polícia Militar no Estado para definir o processo de retirada das tropas do Exército do policiamento ostensivo das principais cidades baianas. O resultado deve ser conhecido nesta terça-feira.

Reforço interno. Na primeira aparição após o encerramento da greve Wagner pregou o fortalecimento da Corregedoria da PM para "encontrar um processo organizacional que seja mais eficiente" e citou São Paulo como exemplo na administração pessoal na polícia.

"Preciso fortalecer minha corregedoria para separar os bons policiais dos maus", disse. "Talvez (a pouca atuação do órgão) tenha sido um dos motivos (para a greve). São Paulo, todo mundo sabe, tem uma corregedoria duríssima. Eles têm um salário menor e não fizeram paralisação. Então, ou tenho algo para controlar, ou não resolve. Temos de melhorar a gestão."

Wagner voltou a criticar o movimento grevista, mas disse entender a postura da parte dos policiais que aderiram à paralisação. "A forma como o movimento foi feito foi totalmente inaceitável perante a democracia, uma minoria que imaginou que, pela força, ia conseguir as coisas", avalia.

"Houve episódios fora do padrão, como colocarem fogo em ônibus escolar e sequestrarem ônibus para interditar vias, foi uma situação de guerra. Conversei muito com o governador do Ceará (Cid Gomes), durante a greve de lá, e ele disse que a sensação era que, a qualquer momento, eles iam entrar na sala e dizer que iam governar. A questão central que se colocou foi a da democracia."

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