João Brito/AE - 29/3/2011
João Brito/AE - 29/3/2011

Wagner Moura será estrela de nova campanha do desarmamento

Ator que protagonizou Capitão Nascimento em 'Tropa de Elite' emprestou voz ao vídeo da ação

Vannildo Mendes, O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2011 | 18h21

BRASÍLIA - O ator Wagner Moura, que interpretou o capitão Nascimento, herói do cinema brasileiro promovido a coronel em Tropa de Elite 2, será uma das estrelas da campanha do desarmamento, a ser iniciada nesta sexta-feira em todo o País. Wagner Moura emprestou a voz ao vídeo da campanha, de 30 segundos, que será divulgado nas emissoras de rádio e televisão de todo o País. A coleta de armas se estenderá até 31 de dezembro e o governo vai pagar de R$ 100 a 300 por arma devolvida, conforme o calibre.

 

O filme usa imagens da campanha de 2009, que mostra a trajetória de uma bala perdida, passando de raspão ao lado de crianças que brincam num parque, populares nas ruas. Moura dirá, com a firmeza de comando de seu personagem, que "não é à bala que se resolvem as coisas". O slogan da campanha é "Tire uma arma do futuro do Brasil".

 

A campanha, a terceira desde 2004, será lançada na sexta-feira, às 10 horas, em solenidade na Prefeitura do Rio, pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o governador do Estado, Sérgio Cabral, e o prefeito Eduardo Paes, além de representantes dos entidades parceiras, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e as ONGs Viva Rio e Instituto Sou da Paz. A segunda parte do evento será a incineração de mil armas apreendidas, no forno da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), às 12 horas.

 

Nas versões anteriores, mais de 550 mil armas foram recolhidas. Desta vez foram introduzidas modificações para dar agilidade e capilaridade à campanha. Na hora da entrega, o proprietário receberá um voucher para sacar o dinheiro no Banco do Brasil, num prazo máximo de 30 dias. Antes, o pagamento podia durar meses. O governo reservou R$ 10 milhões para as indenizações e conseguirá crédito suplementar se a adesão surpreender, segundo garantiu Cardozo.

 

Desta vez, o proprietário da arma não precisará deixar nome, endereço ou o número do CPF quando for entregar a arma nos postos de coleta. A arma entregue será imediatamente destruída, para evitar o risco de voltar às mãos de criminosos. A nova campanha estava prevista para junho, mas foi antecipada para 6 de maio, quando se completa um mês da tragédia na escola Tasso da Silveira, no Realengo (RJ), quando 12 alunos foram mortos à bala e outros 12 feridos por um ex-aluno perturbado, que também morreu - suicidou-se.

 

Dados do governo mostram que mais de 70% dos homicídios no País são cometidos com arma de fogo de fabricação nacional, sobretudo o revólver calibre 38. Boa parte das mortes decorre de acidentes domésticos e de causas banais, como brigas de trânsito. Cardozo explicou que a colaboração do ator é valiosa porque ele desfruta de carisma e credibilidade pessoal, além de ter voz reconhecida pelo grande público das cidades em todo o País.

 

Moura não cobrou cachê pela participação, que será veiculada gratuitamente por uma rede nacional de emissoras de TV e rádio. Só a TV Bandeirantes não aceitou integrar a rede. A assessoria do ator informou que ele se mostrou solidário desde o início à campanha pelo seu conteúdo civilizatório. Ele tem participado de outras campanhas do gênero, como as que combatem trabalho escravo e crimes ambientais.

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