Web ajuda estudantes a encontrar desaparecidos

Projeto em escola de Ribeirão Preto melhorou rendimento de alunos

Fábio Mazzitelli, O Estadao de S.Paulo

18 de setembro de 2008 | 00h00

A professora de língua portuguesa Sandra Cristina Camargo, de 38 anos, agrupou adolescentes de três turmas dos anos finais do ensino fundamental da Escola Estadual Walter Ferreira, em Ribeirão Preto, interior paulista, em torno de um projeto para localizar pessoas tidas como desaparecidas. A iniciativa, além de aumentar radicalmente o interesse dos estudantes pelas aulas, aproximou a escola da comunidade e três pessoas já foram encontradas.A proposta de localizar desaparecidos, ou quem tenha perdido contato com a família, veio dos estudantes. Em aula, Sandra comentou que um idoso, aluno da Educação de Jovens e Adultos (EJA), havia perguntado se era possível, pela internet, saber o paradeiro de um filho que deixou Ribeirão Preto e não fez contato. Não precisou dizer mais nada."Uma aluna virou para mim e disse: ?a gente ajuda a achar essas pessoas?", conta a professora, contratada para cobrir uma licença-maternidade. "No início, pensei que eles poderiam escrever uma carta. Começaram a usar a internet, o Orkut e tudo o que conheciam para localizar pessoas." Desde junho, quando começou o Solidariedade em Prática, os estudantes já ajudaram a localizar três pessoas: a primeira em Campinas; a segunda em Cuiabá e a terceira em Vila Velha. "Tentamos achar essas pessoas porque ficamos tristes. Todo mundo tem o seu ponto fraco", diz Bruno Dallessandro, de 13 anos, estudante da 7ª série.O projeto fez os alunos utilizarem a internet para criar blogs, pesquisar em sites de relacionamento e utilizar serviços de telefonia online. Foi também a ponte para a professora ensinar técnicas de redação. "Nas cartas, trabalhei a diferença entre narração, descrição e dissertação", diz Sandra.Pais e alunos procuraram a professora para falar de experiências pessoais. "Uma aluna cuja família perdeu contato com a avó há 34 anos escreveu para uma senhora que procurava o filho para dizer que ela não estava sozinha", conta Sandra. Essa senhora, a faxineira Josefa da Silva, de 58 anos, recebeu outras 36 cartas.Na semana passada, por telefone, ela voltou a falar com o filho caçula, de Vila Velha. O último contato havia sido em 2001. "Ele mudou de cidade e eu não tinha mais telefone para ligar", diz a aluna da EJA. Segundo a polícia, essas pessoas localizadas são do grupo de "perda de contato". Para considerar alguém desaparecido, a ocorrência tem de ser registrada como desaparecimento. "Eles podem tentar (ajudar a encontrar os desaparecidos), mas não podem assumir responsabilidades", diz Sandra.

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