Web convoca, mas não segura mobilização

Ao mesmo tempo que amplia o debate e a mobilização nas ruas, a internet cria laços superficiais entre manifestantes e movimentos.

Celso Filho, Marcelo Osakabe e Mel Bleil Gallo,

13 Dezembro 2013 | 18h00

Dos que participaram de atos pela primeira vez neste ano, poucos se envolveram nos meses seguintes com as pautas ou os grupos que as puxam. “É a 'participação miojo', da galera que passa três minutos e tira dez fotos para o Facebook”, explica Pedro Freitas, de 24 anos, militante e estudante de Sociologia da Universidade Federal Fluminense. “Mas, embora muita gente critique, foi isso que deu caldo.”

Responsável pela Marcha do Vinagre no Facebook – que culminou em manifestantes festejando no teto do Congresso –, o secundarista de Brasília Jimmy Lima, de 17, chegou a ser recebido pelo governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Há meses, porém, não organiza outros atos. “Hoje, atuo mais na conscientização da população no Facebook, com posts sobre os projetos debatidos em junho.”

Para o sociólogo espanhol Manuel Castells, o sucesso da mobilização depende do diálogo entre o virtual e as ruas. “Esses movimentos partem da invenção de novas formas de democracia, sem líderes e baseadas na conexão entre a internet e o espaço urbano.”

Já para a cientista política da UnB Rebecca Abers, mesmo se o diálogo for superficial o saldo pode ser positivo. “É melhor pouca gente conversando a fundo ou muitos conversando um pouco? Se o objetivo é a opinião pública, talvez o segundo seja mais importante.”

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