Edu Andrade/AE
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Yeda adota tom mais agressivo contra adversários

Em terceiro nas pesquisas, tucana, que busca a reeleição no RS, tenta repetir estratégia da eleição de 2006

Elder Ogliari / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2010 | 00h00

Candidata à reeleição, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), resolveu tentar repetir o feito de 2006, quando usou discursos mais agressivos nos últimos dias da campanha para virar o quadro e vencer a eleição, depois de ter ficado em terceiro lugar.

Yeda partiu para o ataque a seus dois principais adversários, Tarso Genro (PT) e José Fogaça (PMDB). A estratégia da tucana é tentar tirar alguma fatia de votos dos concorrentes e, sobretudo, atrair os indecisos.

Em 2006 Yeda estava em terceiro lugar com 17% das intenções de voto e chegou às vésperas do primeiro turno em segundo lugar, com 22%. Venceu no primeiro turno com 32,9% dos votos, principalmente graças aos indecisos. A experiência anterior e o resultado de uma pesquisa do Ibope, feita de 21 a 23 de setembro, animam a campanha de Yeda. A tucana viu seu índice subir de 13% para 17%.

A candidata também está de olho na taxa de 26% de indecisos na modalidade espontânea, de onde podem sair os votos para saltar do terceiro para o segundo lugar, ultrapassando Fogaça, que tem 26% na modalidade estimulada, e disputar o segundo turno contra Tarso Genro, líder com 44%.

Rejeição. Os planos de Yeda podem esbarrar em duas situações inexistentes em 2006. Uma é sua taxa de rejeição, que vem caindo, mas ainda chega a 35%. Outra é que os concorrentes, ao contrário dos daquele ano, também cresceram, três pontos porcentuais cada um, entre uma pesquisa e outra.

Nos programas e nas inserções de propaganda no rádio e TV, a campanha de Yeda tem lembrado aos eleitores que tanto Tarso quanto Fogaça ganharam eleições para a prefeitura de Porto Alegre prometendo governar por quatro anos e renunciaram para disputar o governo do Estado, respectivamente, em 2002 e 2010.

Também critica o PT de Olívio e Tarso pela desistência da Ford de instalar uma fábrica no Estado em 1999. E ironiza Fogaça num quadro em que um personagem pergunta a outro o que o agora candidato fez como prefeito e obtém o silêncio como resposta.

O candidato a vice na chapa de Yeda e coordenador político da campanha, Berfran Rosado (PPS), confirma que a busca dos próximos dias será pelo voto dos indecisos, mas nega que a campanha tenha se tornado agressiva. "Estamos mostrando para as pessoas que, para decidir, elas têm de comparar", explica, confiante que, em outra ponta, a exibição dos resultados do governo, que levou o Estado ao déficit orçamentário zero, também vai reduzir a rejeição.

Embora tenha de fazer o esforço de defender sua posição e de forçar a eleição a ir para o segundo turno, a campanha de Fogaça promete não responder à ofensiva de Yeda. "Quem tem que analisar os ataques é a sociedade", diz o coordenador Mendes Ribeiro Filho. "Quem quer mostrar um projeto, como nós, não pode olhar para trás, atirar pedras no passado." Na coligação de Fogaça, a ordem também é atrair os indecisos.

Líder da corrida, a candidatura de Tarso precisa de poucos pontos para ganhar a eleição no primeiro turno e, por isso, não quer entrar em polêmicas. Entre os petistas, a avaliação é de que a onda de votos favoráveis a Yeda não vai se repetir, como em 2006, por conta das circunstâncias diferentes.

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