YouTube revela o Rio que já passou

Postado em Paris, documentário de oito minutos sobre a capital carioca, produzido em 1936, vira hit na internet

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

O alemão Martin Ottmann, que vive em Paris há sete anos, não imaginava que um filmete de 1936, de menos de oito minutos, postado no YouTube, faria tanto sucesso. Queria presentear uma família de amigos brasileiros. Viu um trecho do documentário num fórum sobre filmes raros, percebeu que não estava no site e postou o arquivo. Em dois meses, mais de 72 mil pessoas haviam acessado as cenas.Trata-se de City of Splendour, documentário da série Fitzpatrick Traveltalks, distribuído pela MGM. Com narração e direção de James A. Fitzpatrick, americano que se especializou em viagens, o filme de 1936 mostra um Rio de Janeiro em cores, com ruas amplas e limpas, uma capital que já acabou, uma cidade de construções baixas às margens da Guanabara.Mas o cenário de esplêndida fotogenia - o Pão de Açúcar, a placidez da baía, a Praia de Copacabana - não é tão diferente do registrado em 1936, quando Noel Rosa e Heitor dos Prazeres fizeram Pierrot Apaixonado, considerada a melhor marchinha do carnaval daquele ano. "As imagens não são novas. Já foram usadas no documentário Banana is My Business, sobre Carmen Miranda. Mas é muito raro ver o Rio daquela época em cores", diz o pesquisador Antonio Venancio. Até mesmo Ottmann se surpreendeu. "O vídeo não havia recebido muita atenção até três semanas atrás. Foram apenas 250 acessos, quando, de alguma maneira, o boca-a-boca se espalhou", escreveu o alemão, num e-mail ao Estado. O responsável pelo sucesso do documentário foi o prefeito Cesar Maia (DEM). Ele colocou link para o vídeo no seu Ex-Blog - comentários transmitidos por e-mail diariamente. Além de reações emocionadas, provocou queixas. A comparação com o Rio de hoje foi inevitável. "O documentário mostra uma cidade que o prefeito está longe de apresentar ao carioca. Hoje ele prefere ficar atrás do computador, procurando imagem no YouTube", criticou o advogado André Decourt, um dos historiadores informais do Rio. O prefeito lembra que o filme só mostrou "um lado da cidade". "Havia uma cidade oculta, de cortiços que começavam a migrar para as favelas", disse Maia.

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