Zarattini abre inscrições em prévias do PT à Prefeitura

Deputado é o 1º a tornar pré-candidatura oficial, deixando mais difícil ideia de Lula de definir nome sem disputa interna

Iuri Pitta, Wladimir Dandrade, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2011 | 03h05

O deputado federal Carlos Zarattini tornou-se ontem o primeiro pré-candidato oficial do PT à Prefeitura de São Paulo. O parlamentar entregou ontem ao presidente do diretório municipal, vereador Antonio Donato, uma lista com 3.977 assinaturas de filiados apoiando sua indicação.

Mais que formalizar a pré-candidatura, o ato indica que a articulação liderada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um consenso em torno do nome do ministro da Educação, Fernando Haddad, não vem obtendo sucesso. Coordenadores da pré-candidatura de Haddad reconhecem que o cenário é mesmo o de prévias.

Acompanhado de cerca de 50 militantes, Zarattini disse ter coletado nomes em 25 dos 36 diretórios zonais - principalmente das regiões sul e oeste, onde se concentra sua base política, mas também do centro e do extremo leste da capital - e pretende fazer uma segunda entrega de assinaturas daqui a um mês, quando termina o prazo de inscrição das pré-candidaturas do PT.

Para Zarattini, a entrega das assinaturas mostra que o quadro da disputa interna no partido está indefinido. "Houve um processo de adesão à candidatura do Fernando que é importante, mas não representa que a fatura está liquidada", disse, referindo-se à declaração de apoio ao ministro por parte das lideranças das correntes Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual Lula e os articuladores da pré-candidatura de Haddad fazem parte, Novo Rumo e Mensagem ao Partido.

Segundo o parlamentar, nenhuma das tendências dentro do PT dão 100% de apoio a um dos pré-candidatos. "Há uma disputa entre nomes, e não entre correntes", explicou.

Consenso. Haddad participará hoje, em São Paulo, de um ato da Mensagem ao Partido a favor de sua candidatura. Um dos integrantes da corrente, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, vai defender a busca de acordo para evitar as prévias de 27 de novembro, embora reconheça no momento que o cenário é mesmo de definição no voto entre os pré-candidatos - além de Haddad e Zarattini, disputam a indicação os senadores Eduardo e Marta Suplicy e o deputado federal Jilmar Tatto.

"Acho possível que construamos uma candidatura única. Seria muito bom para o PT se tivéssemos uma candidatura única", disse Cardozo ao Estado. "Dentro deste processo, que exige uma maturidade política grande, o melhor seria avaliar qual deles seria deslocado para esta tarefa (de ser o candidato do PT) e nos unificarmos na construção desta candidatura."

União. Com ou sem prévias, unificar o partido após a definição do candidato petista tem preocupado dirigentes da sigla e mesmo apoiadores de Haddad. Dentro do grupo que coordena a pré-candidatura do ministro há discordâncias em relação à forma como foram obtidas algumas das adesões dentro do partido. Para esses petistas, isso pode abrir feridas que, se não estiverem bem cicatrizadas, vão jogar contra o próprio PT em 2012.

Por sua vez, apoiadores de Marta Suplicy ainda acreditam ser possível aglutinar forças para enfrentar o favoritismo de Haddad no partido. Nesta semana, a senadora está em viagem oficial nos Estados Unidos. Por aqui, seus apoiadores reafirmam que ela está na disputa pela candidatura. / COLABORARAM DAIENE CARDOSO e FAUSTO MACEDO

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