Zé Celso pede a Gil tombamento

Diretor quer proteção federal para o Oficina

Jotabê Medeiros, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

19 Outubro 2007 | 00h00

José Celso Martinez Corrêa pediu reforços, e eles vieram. Desembarcaram ontem no Teatro Oficina, na Bela Vista, região central da capital, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, os presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, e da Funarte, Celso Frateschi. Foram convocados pelo diretor para uma discussão sobre a possibilidade de tombamento federal do entorno do teatro - prédio já é protegido por Estado e Município. Em campanha contra a construção de um shopping do Grupo Silvio Santos na região, Zé Celso rejeita terminantemente o projeto aprovado para o local. "Construir o shopping aqui é como fechar o vão livre do Masp." Segundo ele, se o ministério tomasse a iniciativa do tombamento, estimularia a discussão sobre a importância cultural do espaço, o que faria o grupo recuar. "Somos da Tropicália, temos a mesma visão de mundo", disse, dirigindo-se a Gil. Zé Celso está aflito: a única coisa que impede o início da obra do shopping é uma liminar de janeiro, que pode cair a qualquer hora. Também há um pedido judicial de perícia no projeto, para avaliar eventuais danos que ele causará ao Oficina. Os visitantes foram cautelosos. "Se houver consenso de que há valor no entorno do Oficina que deve ser preservado, é possível o tombamento", disse Almeida. Ele e Gil concordam que o estacionamento na área anexa (que mais ameaça descaracterizar a arquitetura) deve virar espaço público. Zé Celso gosta da idéia. "Um lugar que seja um chacra, que dê um respiro para a cidade, tão devastada pela especulação." "É preciso argüir com o governador, com o prefeito, com a comunidade, para que a competência de decidir isso não se esvazie na nossa singularidade como poder", disse Gil. Ele até se comprometeu a interceder com o governador José Serra em favor do Oficina. "Se botarem uma parede aqui, deixa de ser o Oficina", afirmou Gil, apontando para a grande janela na lateral. "É, vai ficar como aquele Auschwitz lá embaixo", emendou Zé Celso, referindo-se ao entulho de demolição de uma sinagoga. Zé Celso também pediu a Gil dinheiro para montar as cinco peças de seu espetáculo Os Sertões na Bahia, na Canudos de Antonio Conselheiro, de 28 de novembro a 2 de dezembro. Também instou o Iphan a tombar a área onde ficava Canudos. Nisso, foi bem-sucedido. Almeida só espera um pedido oficial para iniciar o processo de tombamento do Parque Estadual de Canudos como paisagem histórico-cultural do País.

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