'Zezinho da Mooca' na web

Com 12 filmetes, a série 'Retratos do Serra' busca humanizar tucano e enaltecê-lo como gestor público

Júlia Duailibi, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2010 | 00h00

Na esteira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da adversária Dilma Rousseff (PT), o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, ganhou uma produção audiovisual sobre a sua vida e a sua carreira política.

Dividida em 12 filmetes de até cinco minutos, a série chamada Retratos do Serra busca humanizar o candidato - apresenta-o como "Zezinho" do bairro da Mooca - e enaltecê-lo como administrador público.

O documentário, lançado ontem na internet, é dirigido por Guilherme Coelho, filho de Ronaldo Cezar Coelho (DEM), aliado e colaborador das campanhas de Serra. Durante o processo de filmagem, o diretor teve acesso aos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, acompanhou Serra em reuniões com secretários e em agendas externas.

O Estado apurou que a ideia era que o material virasse um filme nos moldes de Entreatos, documentário sobre a campanha de Lula à Presidência em 2002, dirigido por João Moreira Salles. Mas o diretor afirma que o objetivo inicial era mostrar em 12 filmes a trajetória de vida de Serra. "Selecionamos entrevistas, depoimentos e imagens que conseguissem traduzir esse objetivo."

Os filmetes não se propõem a apontar contradições ou a fazer críticas ao tucano. Pelo contrário. Narram a vida de Serra de maneira elogiosa. De acordo com a produção, o documentário "não é um projeto oficial de campanha, mas sim uma contribuição voluntária e pessoal dos diretores".

Jogral. Foram entrevistados familiares de Serra, amigos e ex-alunos da época em que ele era professor universitário. No primeiro capítulo, sobre a infância, o filme apresenta "Zezinho" como um cidadão humilde, nascido na Mooca, onde "os vizinhos eram pintores de parede, cobradores de bonde, garçons, operários, quitandeiros e sapateiros".

Uma das principais estratégias da campanha de Serra é aproximá-lo do eleitor de mais baixa renda, apresentando-o como candidato com origem pobre.

Uma amiga da época de juventude é entrevistada e conta que Serra era "lindo" e "tinha muito cabelo". Colegas também falam do gosto por poesia e dos jograis de que ele participava.

O filme fala sobre a presidência de Serra na UNE e o período em que esteve no exílio, no Chile e nos Estados Unidos. "Ele estava na linha de frente dos acontecimentos", afirma a narração.

No filme, o economista Cláudio Salm fala sobre a formação acadêmica de Serra, assunto que movimentou as redes sociais nos últimos dias. "Por causa do golpe, não pôde completar o curso de engenharia. Quando chegou (ao Chile) entendeu que deveria estudar economia. Não sabia nada de economia, mas se preparou em tempo recorde." Serra completa: "Fiz uns exames difíceis e entrei direto no curso de pós-graduação em economia."

O tucano conta que soube da existência de documentos da repressão brasileira insinuando que ele seria "apagado" no Chile, de onde conseguiu sair depois de "extensa campanha internacional para sua libertação".

Voto. O diretor declarou voto em Serra e criticou o PT. Questionado sobre o que o motivou a fazer o filme, disse: "É ativismo político. Todos nós precisamos participar no que acreditamos, com informação e diálogo. Uma maneira que tenho de contribuir é contar a trajetória do cara em quem eu vou votar."

Segundo o diretor, "depois de um presidente festivo, precisamos de um presidente que seja diligente, faça o dever de casa e não apenas jogue para a torcida".

Questionado sobre o custo do projeto, Guilherme afirmou: "Ainda não temos esse número fechado. Mas foi tudo feito bem guerrilha, o que é uma característica dos projetos em que acabo me envolvendo. Eu trabalhei pro bono, por ativismo. Pedro Cezar teve que se dedicar muito mais do que imaginava inicialmente e a equipe é mínima", disse, referindo-se ao outro diretor.

Pai de Guilherme, Ronaldo Cezar Coelho é suplente do candidato ao Senado pelo DEM do Rio, César Maia. Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou um patrimônio de R$ 565 milhões.

Dilma Rousseff também ganhou um vídeo sobre sua vida, que está postado na rede. Com cerca de 9 minutos, o filmete também apresenta a candidata em tom eleitoral.

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