Zona Azul digital chega à República; motoristas reclamam

Após pouco mais de cinco meses da implantação do novo sistema digital de cobrança da Zona Azul, motoristas que se utilizam do bolsão de 605 vagas de estacionamento da Praça Charles Miller, onde foi instalado o projeto piloto, ainda não aprovaram completamente a novidade. Entre as queixas mais freqüentes está a instabilidade do sistema. Mesmo assim, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) implantará nesta sexta-feira, 1º, a mesma tecnologia em nove ruas da região da Praça da República, no centro, para 365 vagas.?Muitas vezes cai o sistema e fica uma fila enorme?, reclama Monique Borrely, de 20 anos, que estuda na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), localizada próxima à praça Charles Miller. Outra universitária também se queixa da falta de alternativa quando é surpreendida pela falha tecnológica. ?Uma vez o sistema saiu do ar e não tinha mais cartão de papel em nenhum dos dois pontos de venda?, contou Juliana Leite, de 21 anos.Segundo a empresa Rede Ponto Certo, que desenvolveu a tecnologia, a queda ocorre porque há períodos de fluxo intenso no horário de chegada dos estudantes. Como o sistema é conectado à internet, explicam os responsáveis, está sujeito à queda da conexão. A empresa informou que no centro foram instalados 20 pontos de venda para que o problema apontado pela universitária na praça Charles Miller não se repita.O novo esquema de zona azul funciona da seguinte forma: o motorista vai até um dos postos de venda, dá o número da placa do veículo e diz a quantidade de períodos que deseja. Os marronzinhos fazem a fiscalização com palmtops e verificam na rede se o motorista comprou os créditos. A pessoa que adquirir mais períodos que o necessário pode interromper a utilização via mensagem por celular. Os créditos restantes ficam de bônus. No centro, o preço será o normal, de R$ 1,80 por uma hora. Segundo a Ponto Certo, na Charles Miller o preço é diferenciado, três horas é o período mínimo e saem pelo mesmo valor, por ser uma região em que há muitos estudantes e uma permanência maior dos veículos. Lá, a nova Zona Azul fez com que os flanelinhas sumissem da região. ?Por um lado foi bom. É mais rápido e nós que estudamos por aqui temos convênio e pagamos uma taxa mensal?, disse a estudante Sara Boninekamp, de 21 anos. ?Mas aqui ficou mais perigoso. Todo mundo tenta chegar cedo para estacionar perto dos carros da CET?, completou Sara. Um dos funcionários da CET que trabalha no local confirmou a reclamação da estudante. ?Precisamos de segurança, o que mais tem aqui é roubo de toca-fitas?, disse o agente que não quis se identificar. De acordo com a Polícia Militar na região, entre os meses de janeiro e julho, 98 veículos foram recuperados, 25 armas foram apreendidas e 345 pessoas foram presas, sendo que 171 em flagrante.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.