Zona Azul vira ''''senha'''' para ladrões

Em 10 dias, houve pelo menos 7 furtos e arrombamentos no estacionamento do Ibirapuera

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

13 de fevereiro de 2008 | 00h00

Nos últimos dez dias, pelo menos sete furtos e arrombamentos de veículos ocorreram dentro do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, onde existe a cobrança de Zona Azul há quase um ano. Em um dos casos, uma Paraty Track & Field, cujo valor de mercado é R$ 50 mil, foi levada em plena luz do dia. O talão deixado nos painéis dos carros com a informação do horário de chegada ao parque pode ser a senha utilizada por uma quadrilha que atua na região. No sábado, guardas civis metropolitanos (GCMs) detiveram um jovem que havia furtado um CD player, por volta do meio-dia. Em seguida, acalmaram o empresário Agnaldo de Souza, de 35 anos. Depois de caminhar pelo parque, Souza achou seu Peugeot com a porta arrombada. Bandidos levaram um óculos de sol e a frente do rádio."Felizmente para os criminosos, o cartão de estacionamento no parque é uma ferramenta importante, já que eles sabem a hora em que a pessoa chegou e ficam tranqüilos para agir", disse Souza. Segundo ele, a GCM havia informado que naquele dia outros arrombamentos tinham acontecido. A informação sobre a série de crimes foi passada à reportagem pelas vítimas e confirmada pelos GCMs que patrulham o parque - nenhum quis se identificar, com medo de represálias. A Secretaria de Segurança Pública explicou que não pode divulgar os boletins de ocorrência por uma norma interna. A Polícia Civil, porém, admitiu que furtos têm sido constantes no parque, região onde atual o 36º DP (Paraíso). Policiais revelaram que, geralmente, mulheres deixam carteiras e malas de grifes famosas expostas no banco de trás dos carros, o que chama a atenção de assaltantes. Um GCM conta que uma quadrilha atua no local desde o ano passado. "Eles chegam de carro mesmo, estacionam e ficam só observando quem pára o veículo." Segundo o guarda, desde que começou o sistema de Zona Azul, os furtos aumentaram. "Esse parque mudou muito. A gente vê os usuários chorando sem os carros", desabafa o guarda. "Na semana passada, dois Gol foram furtados."Desde o ano passado, o número de GCMs foi reduzido no parque. De 180 homens, o efetivo passou a ter 87 guardas. Procurada, a Assessoria de Imprensa da GCM informou que o efetivo diminuiu por decisão da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, que optou por contratar vigilantes privados para o parque. A secretaria foi procurada, mas não retornou.A Polícia Militar disse que faz rondas dentro do parque, mas não tem uma base no local. A PM informou ainda que as ocorrências ficam a cargo da GCM e de vigilantes terceirizados pela Prefeitura. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não comentou o assunto até as 23h30 de ontem.

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