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Zona de exclusão do cigarro

Nova proposta divulgada pela Sociedade Real de Saúde Pública do Reino Unido, na última semana, recomendou zonas de exclusão ampliadas para o fumo ao redor de bares e restaurantes, dentro de parques e no entorno das escolas. Oito anos depois da proibição do cigarro em locais fechados, a nova medida seria uma expansão dessa área inicial de restrição.

Jairo Bouer, O Estado de S. Paulo

16 Agosto 2015 | 03h00

A recomendação da entidade, que reúne cerca de 6 mil médicos e profissionais de saúde, objetiva diminuir a exposição de crianças e adolescentes ao cigarro. Além disso, os especialistas acreditam que a maior restrição estimularia mais gente a parar de fumar. Como exemplo, 12 meses após a proibição do cigarro em ambientes fechados, as pesquisas já indicavam que 400 mil pessoas haviam deixado de fumar no país. A notícia foi divulgada pelo jornal inglês Daily Mail.

Mas a medida está longe de ser um consenso. Associações que defendem os fumantes alegam que a proibição do cigarro ao redor de bares e restaurantes discrimina adultos que querem fumar livremente. Bom lembrar que em outros países já existem restrições ao fumo em espaços abertos de uso público, como praias e parques.

Outro dado divulgado na última semana no Reino Unido mostra que o número de mortes de recém-nascidos caiu 8% após a proibição do fumo em locais fechados, o que pode ter estimulado mais mulheres a pararem de fumar, além de ter reduzido a exposição de gestantes aos efeitos nocivos do fumo passivo. 

Mães que fumam ou são expostas ao tabaco enfrentam maior risco de parto prematuro e de gerar bebês com baixo peso, o que traz maiores chances de complicações após o nascimento. Os dados foram publicados no periódico Scientific Reports. 

Os especialistas afirmam que hoje apenas 18% da população mundial está protegida por leis que proíbem o fumo em ambientes fechados. No Reino Unido, estima-se que 100 mil pessoas morrem anualmente por problemas causados pelo uso do cigarro.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são 200 mil mortes por ano relacionadas ao tabagismo. Os últimos dados do Vigitel (Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico) indicam que 10,8% dos brasileiros fumam – queda da ordem de 30% no País nos últimos nove anos. Há duas décadas, um terço da população adulta fumava no Brasil. A restrição ao uso do cigarro nos ambientes fechados é considerada uma das medidas importantes para a redução do número de fumantes por aqui. 

O arsenal disponível hoje para ajudar pessoas que querem abandonar o cigarro inclui alguns medicamentos que reduzem a vontade de fumar e a reposição de nicotina (com adesivos, chicletes e cigarros eletrônicos), além de diversas terapias e suporte. Apesar da dificuldade, a combinação dos métodos e a repetição das tentativas costuma ser a estratégia que alcança os melhores resultados. 

Na última semana, cientistas anunciaram a descoberta de uma nova molécula, uma enzima produzida por bactérias que vivem no solo de plantações de tabaco, que parece diminuir os níveis de nicotina que circula no organismo. O artigo foi publicado na revista Journal of the American Chemical Society e divulgada pelo jornal inglês Daily Mail.

A bactéria, Pseudomonas putida, usa a enzima NicA2a para “quebrar” a nicotina, sua fonte exclusiva para obter carbono e nitrogênio, essenciais em seu ciclo de vida. Os pesquisadores perceberam que a mesma molécula reduz o tempo que a nicotina permanece no sangue. Ainda em fase inicial de testes, os pesquisadores acreditam que, com pequenas mudanças, eles poderiam potencializar esse efeito e evitar que a nicotina chegue ao cérebro, o que tornaria a enzima um potencial recurso para o tratamento dos fumantes que querem abandonar o cigarro.

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