Zona norte de SP muda, com ônibus, shopping, hotéis

Em uma faixa desocupada, ao lado da Marginal do Tietê, na zona norte de São Paulo, há décadas, o cenário era de abandono: brejo, lagoas, rãs e areia. A área aos poucos foi sendo ocupada, apesar do ceticismo dos críticos, que achavam arriscado investir no local, e se transformou em um dos principais pólos de desenvolvimento da cidade. A região reúne hoje o Shopping Center Norte, o Shopping D, o Terminal Rodoviário Tietê, o Campo de Marte e hotéis. Atraídos pelo fluxo de pessoas que freqüentam esses locais, lojistas e construtoras passaram a apostar na área. Em 1982, foi inaugurado o terminal rodoviário. Dois anos depois, o empresário Curt Otto Baumgart abriu o Shopping Center Norte, com 475 lojas, desencadeando um grande desenvolvimento para a região. ?Nós colocamos a zona norte no mapa de São Paulo?, diz o empresário. O empreendimento cresceu, atraindo um público diário de 120 mil pessoas, o maior movimento em shopping da América Latina. A expansão deu origem a um complexo denominado Cidade Center Norte, que gera 21 mil empregos diretos e indiretos e é formada por um centro de compras temático de decoração (Lar Center), um conjunto de pavilhões (Expo Centers) e um hotel (Novotel). Em 3 de abril, ganhará uma nova unidade, o flat Nortel. Entre os sinais de progresso estão novas lojas próximas, que se beneficiam do fluxo do centro de compras. Num raio de 1 quilômetro, há cinco concessionárias de veículos, além de lojas de brinquedos e material de construção. Bairros vizinhos, como Santana e Tucuruvi, se beneficiam dessa estrutura. Os moradores dão testemunho das mudanças. ?Mudou a aparência, era uma área abandonada. Facilitou o acesso a muita coisa?, afirma Sheila Ribeiro, de 30 anos, que mora próximo do shopping. PúblicoNos corredores do Center Norte são encontradas pessoas de várias regiões da cidade. A administradora de empresas Aletéia Ramires, de 24 anos, mora em Perdizes, zona oeste. Ela estava ontem na região norte a trabalho e passou no shopping para almoçar. ?É um ponto de referência.? A bióloga Zélia Andrade, de 35 anos, foi ao local com o filho, Luiz Felipe, de três meses, e a amiga Ghislaine Strelniek, de 35. ?Quando a gente anda com criança, o fato de o shopping ser plano facilita muito. ?Com o carrinho de bebê, não ando de elevador?, disse Zélia. Outros grandes empreendimentos contribuíram para o crescimento daquela região: o metrô, o Anhembi e o Terminal Rodoviário Tietê. Para se ter uma idéia do impacto dessas unidades, basta citar como exemplo o Terminal Rodoviário, inaugurado em 9 de maio de 1982 ? dois anos antes do shopping. Pelo terminal circulam 97 mil pessoas por dia, sendo 66 mil passageiros. Dali saem 365 mil linhas de ônibus, que atendem a 1.010 cidades do País. Há 11 anos, surgiu o Centro Empresarial Santana, na Rua Duarte Azevedo, próximo do antigo Terminal Santana do Metrô. São 112 conjuntos de escritórios e consultórios, todos ocupados. ?Na época havia falta de salas comerciais?, diz o zelador do prédio, Constantino Luiz da Silva, de 63 anos. CarandiruA demanda por salas foi tão grande que, atualmente, há pelo menos 15 prédios comerciais na região de Santana. O diretor da incorporadora PMG, Georg Klar, calcula que, desse total, 10 prédios surgiram nos últimos cinco ou seis anos. ?A região cresceu em função da própria extensão do Metrô?, avalia. Na sua opinião, a expectativa de desativação do Complexo do Carandiru é outro fator positivo para a região. Em Santana, ainda há comerciantes que recordam o tempo em que o shopping foi inaugurado. Houve queda nas vendas do comércio da Rua Voluntários da Pátria durante dois anos. O gerente de uma loja de calçados, Estevão Dall Bello Neto, de 42 anos, diz que o comércio da rua recuperou a clientela investindo em qualidade no atendimento. Hoje, segundo ele, a rua se beneficia do público que vai ao shopping. ?Ele atrai público.?

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