Zuanazzi acusa Jobim de usar Anac como bode expiatório

De saída, presidente demissionário da agência cobra explicações do ministro sobre sua atuação

31 Outubro 2007 | 12h36

O presidente demissionário da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, afirmou nesta quarta-feira, 31, que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, usou a Anac como bode expiatório na crise aérea que afetou o País e teve seu pior momento após dois acidentes aéreos que mataram, juntos, 353 pessoas. A afirmação foi feita durante a entrevista coletiva em que ele anunciou que vai entregar, durante a tarde, sua carta de renúncia ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.   Zuanazzi anuncia demissão e critica Jobim Especial sobre um ano de crise aérea Todas as notícias sobre a crise aérea    "Sinto que a Anac foi estereotipada e o estereótipo é uma espécie de injustiça. O estereótipo é uma ante-sala da injustiça", diz Zuanazzi ao ser questionado se se sentia injustiçado. "O ministro não entrou nesta questão de justiça e injustiça. Ele usou a Anac como bode expiatório, colocando a Anac como foco dos problemas. Isso é comum na política mundial e brasileira, mas o bode expiatório morre logo ali. A explicação vai ter que ser dele", desafia.   Segundo Zuanazzi, "é natural que quem chega no ministério queira modificar. Tem que mostrar que está com a vassoura nova e pode varrer melhor. Mas às vezes essas mudanças são imaturas. O que peço é que não modifiquem o corpo técnico da agência, isso espero que não façam, pois aí o País perde. Se querem voltar a ser um instrumento de marco político, como era antes, mude-se a lei", diz.   "O Brasil é um País muitas vezes imaturo e a prática no Brasil é se o time vai mal se troca o treinador", diz ele, questionado sobre a mudança na cúpula do setor aéreo. E o futuro? "Estou há 30 anos na vida pública, e estou pensando em voltar à vida privada, voltar a lecionar, voltar à área de planejamento turístico", conta. Ele diz que vai cumprir a "quarentena" e não vai aceitar nem sondagens no setor de aviação civil.     Agenda oculta   Para o demissionário, existe "uma agenda oculta" que não quer o acesso de usuários mais pobres na aviação. "Existe uma agenda oculta que não quer que o pobre ande de avião, não quer que o País cresça. Discutir tamanho de acento para toda aeronave é aumentar preço (das passagens). Existe uma agenda oculta nesse debate, que tem que aparecer. Atenção cidadão, você que nunca conseguiu viajar de avião: estão querendo que você não voe", diz Zuanazzi, numa referência à reclamação do ministro Jobim de que os espaço entre as poltronas é apertado.   (Colaborou Luciana Nunes Leal, do Estadão)

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