Zuanazzi diz que preço de passagem pode subir

Especula-se que valor do bilhete aumente até 37%

Eduardo Reina e Isabel Sobral, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2025 | 00h00

Ao ser questionado sobre a possibilidade de aumento de preços das passagens aéreas, como decorrência da reestruturação da malha e das tarifas aeroportuárias, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, afirmou que "existe sim a probabilidade" de elevação dos preços porque vai imperar uma lei de mercado. "Se você tem uma demanda maior, mas não tem oferta para atendê-la, aí...", disse. Já as empresas aéreas não comentaram o reajuste de preço das passagens sugerido pelo presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira. Mas já se especula que os valores dos bilhetes possam voltar aos patamares do início de 2006, pelo menos 37% mais altos do que hoje. Mas nada está definido. Para o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), o atual sistema de operação, de baixo custo e aproveitamento máximo de aviões, permitiu a redução dos preços das passagens. Agora, como as restrições em Congonhas, é prevista a necessidade de mais equipes e mais aeronaves, o que aumentaria o custo das companhias. Esse excedente de custo fatalmente será repassado para o consumidor. Segundo a assessoria de Imprensa do sindicato, o reflexo dessas medidas na economia das empresas aéreas só poderá ser sentido depois da regulamentação das mudanças, o que deve ser feito pela Anac. Segundo Zuanazzi, a diretoria da agência deve reunir-se com os dirigentes de empresas aéreas amanhã e na sexta-feira para começar a discutir a reorganização da malha aérea, atendendo à resolução do Conselho de Aviação Civil (Conac). "Temos 60 dias para isso, mas esperamos tomar estas decisões em menos tempo." Estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) mostra que, em 2006, as tarifas caíram cerca de 20%. No início deste ano, com as promoções das companhias, os custos ficaram 17,5% mais baratos. Essa queda contrasta com a evolução do preço acumulada de 2001 até 2006. O reajuste ficou abaixo da inflação no mesmo período. O preço dos bilhetes cresceu 46,3%, enquanto a inflação subiu 51,6%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC). Há previsão de que as promoções também diminuam, já que as operadoras, em menor quantidade, disputam o mesmo número de clientes. Os fatores que vão compor o índice de reajuste levam em conta o pacote para tentar solucionar o caos aéreo e as mudanças a serem adotadas em Congonhas. As empresas terão de pôr em prática um plano de contingência para aeronaves e tripulação.

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