Zuanazzi irrita Jobim com trapalhadas

Hesitação sobre implosão reforça idéia de substituir diretor da Anac

Tânia Monteiro, Vera Rosa e Lisandra Paraguassu, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2007 | 00h00

Duas trapalhadas da Agência Nacional de Aviação Civil cometidas na sexta-feira e no sábado ressuscitaram a idéia do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de procurar uma solução política para o afastamento de Milton Zuanazzi do comando da Anac. Na sexta, Jobim foi surpreendido com a informação de que inspetores americanos desembarcariam ontem no Brasil para fazer uma fiscalização da pista do Aeroporto de Congonhas. Irritado, mandou cancelar a inspeção, alegando soberania nacional. No sábado, à meia-noite, quando estava em Manaus, Jobim recebeu uma ligação de Zuanazzi, que queria instruções sobre como se portar no caso da implosão do prédio da TAM Express, marcada para as 15 horas de domingo, já que teria de fechar Congonhas. Jobim espantou-se com o fato de órgãos de seu ministério não terem tomado providências, obrigando-o, àquela hora, a buscar saídas. Jobim ligou, de sábado para domingo, para o prefeito Gilberto Kassab, para tentar evitar problemas maiores - os passageiros teriam os vôos suspensos durante a implosão. Ao saber, pela direção do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), que o horário de pico começava às 16 horas, ligou para Kassab. Questionou se o horário da implosão, 15h30, poderia ser antecipado. Diante da negativa, pediu que não houvesse atrasos na demolição. Antes desses episódios, Jobim já tinha ficado irritado pelo fato de a Anac adiar informações sobre o estado das pistas do Aeroporto de Cumbica. Em conversas com interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele voltou a mencionar o desejo de que toda a direção da agência peça demissão.

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